Lanerossi Vicenza: o rebrand que resistiu ao tempo. E à falência

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Em 10 de janeiro, comentamos que a falência do Vicenza Calcio era iminente. Acertamos. Ontem (19), após 115 anos, e em meio à palude de uma Terceira Divisão, chegou o fim da linha para o clube que revelou Paolo Rossi — aquele — e Roberto Baggio.

E enquanto se discute como os biancorossi retomarão sua história — reaquisição do título esportivo, reconstituição societária, futebol popular etc. —, FutMKT relembra seu principal legado de marketing: um de seus principais legados: a popularização do marketing esportivo nas províncias da Bota.

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Voltamos a 1952-53. O Vicenza tinha se salvado da Terceirona por um triz, mas o buraco de 55 milhões de liras no balanço não lhe permitiria viver por muito mais tempo. Foi quando o colosso têxtil Lanerossi — o Lanificio Rossi, da cidade de Schio, interior da província —, se propôs a adquirir e sanear o clube, que, em contrapartida, teria “apenas” que mudar seu nome: de Vicenza para Lanerossi Vicenza.

Situação delicada? Que nada. Já havia antecedentes — a Juventus Cisitalia e a FIAT Torino no fim da II Guerra Mundial; e, no meio vicentino, o Valdagno-Marzotto AC (anos 1940-50) e um empreendimento da própria Lanerossi, a Lanerossi-Schio, entre 1930-40, — e o negócio foi fechado imediatamente.

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Ato contínuo: antecipando em quase trinta anos a abertura da Federazione Italiana Giuoco Calcio-FIGC (a “CBF da Bota”) para que os clubes estampassem patrocínios de camisa, o Vicenza passou a usar no peito um “R”, símbolo da Lanerossi. Com isso, passou a ser conhecido por um apelido que perdura até hoje: il Lane — ou “os da Lane(rosssi)”.

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Foi um primeiro período glorioso. Em apenas duas temporadas, o Lanerossi Vicenza estaria de volta à Serie A, para um ciclo de vinte anos. Cairia em 1974-75, mas voltaria encantando a Itália em 1977-78, quando chegou perto de tirar o scudetto da Juventus, ao som dos gols de Paolo Rossi e com um futebol tão diferente que, popularmente, ressignificou o “R” de Lanrossi para “Real” — o “Real Vicenza”, a nobile provinciale que jogava como um Real Madrid.

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A partir do novo rebaixamento de 1978-79, a Lanerossi Vicenza entrou em declínio. Sua última grande página aconteceu em 1984-85, quando saiu da então Serie C1 (Terceirona) com os gols de um garoto chamado Roberto Baggio. Mas foi por lá mesmo, em 1990, que a parceria acabou: o Vicenza mudou de mãos e a Lanerossi voltou à lida puramente têxtil.

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Quis o destino — e, reconheçamos, a competência — que o Vicenza atingisse seu ápice de resultados após a parceira histórica: em 1996-97, o clube conquistou a Coppa Italia (atual TIM Cup) e, na temporada seguinte, foi semifinalista da antiga UEFA Cup Winners Cup. Em 2000-01, o clube se despediu da Serie A, para nunca mais voltar. Em 2002-03, o “R” da Lanerossi voltaria à camisa para a comemoração do centenário, e se tornaria fixo novamente a partir de 2006-07, num acordo simbólico com o grupo Marzotto — aquele mesmo da Valdagno-Marzotto AC, e atual dono do Lanificio Rossi.

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“R” de (Lane)Rossi. “R” de “Real Vicenza”. Será que ainda veremos o símbolo da grandes tempos na camisa do futuro Vicenza como um “R” de Ritorno?

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Thiago Zanetin tem 32 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Europa.

Imagens: Divulgação.

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