Presente de 40 anos: Gattuso ganhou uma carta de Ancelotti na Gazzetta

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Grosso modo, todo jogador é uma marca. Mas poucos deixam marcas. Gennaro Gattuso foi um desses. O que não teve de classe, compensou com grinta — raça, entrega, disposição de se matar (e, se preciso, matar o adversário) para vencer. Um mentalidade que, agora do banco, “Rino” tenta imprimir num Milan muito diferente daquele em que conquistou tudo. E que ganhou o apoio de um dos seus maiores mestres: Carlo Ancelotti. Ontem (9), tendo como bom pretexto o 40º aniversário do pupilo, Carletto ocupou algumas linhas da Gazzetta Dello Sport — o maior diário esportivo da Bota — com uma carta de parabéns e incentivo. Se o diavolo encarnar esse espírito, já será meio caminho andado. Confira:

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40 anos, meu caro Rino, merecem uma carta de parabéns séria, e não apenas um telefonema — com aquelas nossas conversas e brincadeiras de sempre. 40 anos são para se refletir: há muito para recordar e muita estrada pela frente para novas realizações. Hoje, vejo você no banco do Milan, agitando-se como louco e gritando para incentivar seus jogadores, e acredito que é a pessoa certa no lugar certo: são necessários a sua paixão, o seu caráter e espírito de sacrifício para superar os obstáculos; é necessária também a sua alegria, para desdramatizar certas tensões; e de alguns dos seus solenes momentos de raiva para acordar quem dorme — porque num time, num grupo, sempre há um que está dormindo.

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Em campo, você foi o meu guerreiro. Jamais vi você desistir, nunca te vi de camisa limpa, sempre te vi dando o máximo. É isso que sempre admirei em você: a capacidade de alcançar os objetivos, ainda que a natureza não tenha te dado grandes técnica. Porque — poddo dizê-lo? —, seus pés não são exatamente “bem-educados”. Mas a raça que você tinha, ninguém mais tinha. Quantas vezes vi você falar com um companheiro para ajudá-lo, encorajá-lo, apoiá-lo em tempos difíceis. O futebol é isso: além dos esquemas, módulos, tabelas, ataques e contra-ataques, é sobre pessoas. E são as pessoas que fazem a diferença. Você, caro Rino, para mim e para o nosso Milan, fez.

Treinei você durante uns oito anos. E suportei você: antes das partidas, era impossível intratável: nervoso, briguento. Era o seu modo de se preparar e, assim como eu quando jogava, você entrava no clima muito antes. Mas eu sabia como lidar com você: um piadinha para baixar a ansiedade, um risada ou um pulinho fora do vestiário. Lembra quando estávamos no retiro de Malta, em janeiro de 2007? Kaladze deixou você louco, porque brincava com o seu aniversário, e os companheiros apoiavam; eu fingia que não via, mas sabia que com você o melhor era não exagerar, para que, como dizíamos entre nós, não “surgisse a ignorância”. E, com efeito, numa noite você correu Kaladze do refeitório e não quero saber o que aconteceu. Mas eu sei o que aconteceu alguns meses mais tarde. Naqueles dias em Malta, fiz uma promessa a vocês: levá-los à final da Champions. Vocês disseram que eu estava louco. Mas depois fomos para a final, e ainda vencemos. E você, Rino, foi a alma daquele Milan. Faço votos de que você o seja também no banco. Você merece.

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Thiago Zanetin tem 32 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Europa.

Imagens: Divulgação.

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