18 desejos de FutMKT para 2018

18b

Pimba na gorduchina. 2018 já está em campo. E, a exemplo de 2017, FutMKT abre o ano com uma lista de 18 dos muitos desejos que, esperamos, serão realidade até 31 de dezembro. Você vai notar alguns itens não mudaram em relação à última temporada — porque ainda não concretizamos, mas seguimos acreditando. Vamos nessa?

l

1. QUE O HEXA VENHA.

brasil_003

Sabemos que os 7×1 de 2014 não surtiram grandes efeitos práticos ou de mentalidade no nosso futebol. Sabemos também que a sexta Copa do Mundo FIFA, se vier, poderia até servir como atestado de que aquele vexame foi um mero acidente. Sim, precisamos de mudanças — e vamos cobrar. Mesmo assim, somos otimistas. Torcemos muito pelo e para o Brasil. E ainda acreditamos que é mais fácil mudar na vitória do que na derrota. O hexa é fundamental.

l

2. QUE A SELEÇÃO
VOLTE A SER POPULAR.

brasil_004

Em 2017, a Seleção cobrou acima dos tickets médios das principais equipes de todas as capitais onde jogou, chegando a absurdos R$ 368,67 (ou 39,34% de um salário mínimo) em São Paulo-SP, no Allianz Parque. Para nós, essa precificação, que exclui os torcedores de baixa renda do espetáculo, é um erro crasso de marketing, que deve ser corrigido imediatamente, com planos e produtos específicos.

l

3. QUE A ITÁLIA
VOLTE A SER A ITÁLIA.

buffon3

60 anos depois, a Copa do Mundo FIFA não contará com a Azzurra. Uma tragédia anunciada pelas eliminações nas fases de grupos dos últimos dois Mundiais, e que precisa ser entendida como a falência de um sistema. Ou a Itália faz como a Alemanha fez no começo dos anos 2000 — investindo na formação de jogadores, treinadores e também torcedores, para que o calcio, além de praticado, seja admirado dentro e fora do país, atraindo as melhores cabeças e pernas do jogo —, ou ficará na dependência de que a boa sorte junte uma nova “geração 2006”. O primeiro teste será a nova UEFA Nations League.

l

4. QUE A HOLANDA MASCULINA
APRENDA COM A FEMININA.

uefa_torneios

Depois de ficar fora da UEFA EURO 2016, a Holanda também não vai à Copa do Mundo FIFA 2018. A Holanda masculina, claro. Porque a feminina é o oposto: atual campeã europeia, tem em seu quadro a atual melhor jogadora do mundo — Lieke Martens — e entra como favorita absoluta nas eliminatórias para o Mundial de 2019. Os oranjes são o que os oranjes já foram e querem voltar a ser. Por que não tê-las como modelo?

l

5. QUE A BUNDESLIGA
MANTENHA O 50+1.

001

É a regra das regras: mais da metade (50+1%) das ações dos clubes deve estar nas mãos de sócios e/ou associações de torcedores, que terão voto majoritário em quaisquer decisões. Instituída em 1998, quando a Alemanha já dava sinais de ostracismo, essa diretriz permitiu um crescimento sustentável (no campo e nas finanças) e popular (nas arquibancadas) do futebol local. O sucesso do “modelo Red Bull” na 1.Bundesliga, com RB Leipzig, abalou essa crença. E a seca de resultados dos clubes germânicos nas competições da UEFA — desde a final alemã da UCL, entre Bayern e Borussia Dortmund, em 2013, não se ganha nada — colocou o modelo em xeque ao longo de 2017. Nós acreditamos que a flexibilização do 50+1, além de não garantir boas campanhas internacionais a toque de caixa, fará com que o fussball perca a identidade que (re)conquistou.

l

6. QUE A SUPERCOPA DO BRASIL
VOLTE AO CALENDÁRIO.

supercopa 5

Nosso desejo continua. Desde 1991, quando a competição foi extinta, após apenas duas edições, perdemos 26 grandes finais — e perderemos a 27ª, a de 2017, que veria frente a frente Corinthians (campeão do Brasileirão) e Cruzeiro (dono da Copa Continental do Brasil). Não seria uma grande disputa para abrir a temporada?

l

7. QUE O SEU CLUBE
SAIA DO ARMÁRIO.

premier3

Quanto mais você fizer de conta que o seu clube não tem torcida LGBT+, mais nós vamos dizer que tem, sim. Não para provocar, mas por acreditarmos que o futebol precisa ser mais inclusivo. E também porque essa negação da realidade faz com que o seu clube deixe de crescer — e muito.

l

8. QUE O FUTEBOL FEMININO DESLANCHE.

cor

Nosso #futfem tem tudo para crescer em 2018. Temos um Campeonato Brasileiro com duas divisões consolidadas. Temos alguns clubes-modelo — como, por exemplo, o popularíssimo Iranduba-AM; o Corinthians, atual campeão da CONMEBOL Libertadores, e que assumirá integralmente a gestão da sua equipe, até então dividida com o Audax; e Santos-SP, Flamengo-RJ, Internacional-RS e outros que emprestam seu prestígio à modalidade. E estamos no ano-limite para cumprir a diretriz da CONMEBOL que condiciona a participação na Libertadores e Sul-Americana de 2019 à montagem e manutenção de uma divisão feminina. Esse é o ano.

l

9. QUE O “ESTAGIÁRIO” DO PARANÁ CLUBE
APROVEITE A SÉRIE A.

Não há quem não se divirta com o Twitter do Paraná Clube. E se o “estagiário” já fez o que fez em seus tempos de Série B, imagine em 2018, quando o tricolor fará sua reestréia na elite após 10 anos de “déficit acumulado”? Vão faltar caracteres para tanta zoeira. (E se o clube souber converter todo esse engajamento em monetização, melhor ainda.)

l

10. QUE AS MARCAS TRAGAM
MAIS CAMISAS AO BRASIL.

v_varen_camisa_001

Queríamos muito comprar a “camisa da paz” do V-Varen Nagasaki. E ficamos querendo, porque a hummel não trouxe esse manto para o Brasil. Da mesma forma, outras fabricantes, de todos os portes, ainda não perceberam o público e consumo potenciais que têm no torcedor brasileiro. Passou da hora de corrigirmos isso.

l

11. QUE O JUVENTUS DA MOOCA
CONTINUE SENDO DA MOOCA.

A cultura boleira que vimos quando estivemos no estádio da Rua Javari, na Mooca, bairro da Zona Leste de São Paulo-SP, é coisa de poucos lugares no Brasil. Mais do que alternativo, o Juventus é autêntico. Esperamos que os dias de jogos do clube sirvam de inspiração para outros clubes ditos “pequenos” perdidos em meio à modernidade.

l

12. QUE O BORUSSIA DORTMUND
CONQUISTE O ÍCOSA NAS ARQUIBANCADAS.

bvb_torcida_006

De 1998-99 para cá, o dono da 1.Bundesliga mudou dez vezes. Mas só em campo. Nas arquibancadas, o BVB domina desde então. E ao fim de 2017-18, poderá ser icosacampeão de público — ou seja, pela 20ª vez consecutiva. Uma marca invejável, que, sendo concretizada, reforçará o caráter popular do clube.

l

13. QUE LOCO ABREU
COLECIONE NOVAS CAMISAS.

000_uruguai

Esse é um pedido fácil, já que, em 2018, o centro-avante uruguaio encontrará no Audax Italiano-CHI a 27ª parada de sua carreira. Será a única da temporada?

l

14. QUE O SWANSEA CITY
SE MANTENHA NA PREMIER LEAGUE.

swan

Que os nossos leitores torcedores de rivais diretos — ou mesmo do arquirrival, Cardiff City — não nos queiram mal, mas a permanência do único clube que mantém participação popular em sua propriedade só pode fazer bem à Premier League. É uma missão difícil, já que os jacks abriram 2018 na lanterna. Mas, quem sabe?

l

15. QUE O STOKE CITY CONTINUE
SENDO O STOKE CITY.

STOKE1

De acordo com um estudo recente da consultoria EY, a presença do Stoke City na Premier League 2015-16 criou ou sustentou 2.200 empregos (mais de 1% da população de Stoke-on-Trent naquele momento) e trouxe para a cidade £ 132 milhões. Se pensarmos que a maior parte dessa cifra, £ 108 milhões, vêm de turismo, veremos a importância de o clube, já há cinco temporadas, bancar o transporte de seus torcedores em jogos fora de casa. E tudo isso com os potters seguindo aquele roteiro previsível de não-rebaixamento — perdendo os jogos que poderiam empatar, empatando os que poderiam ganhar e ganhando os que poderiam perder. Um case perfeito.

l

16. QUE O MUNIQUE 1860 SIGA
RECONSTRUINDO SUA IDENTIDADE.

1860

Foi preciso despencar para a Quarta Divisão, mas o TSV aprendeu que nunca vai ser — e, mais importante, que não precisa ser — o Bayern. Em vez da Allianz Arena, os löwen retornaram ao velho Grünwalder. Nada de contratações caras e ineficazes: agora a vez é da base. Esse dois passos deram ao clube a liderança de sua chave na categoria e, mesmo que numa realidade muito menor, reconstruíram o entusiasmo e a cultura e torno do clube. Esse é o caminho.

l

17. QUE NOSSOS CLUBES NÃO IGNOREM
OS SINAIS DO FUTEBOL ALÉM DA TV.

001_abertura

Sugerir algo do tipo num sistema “TV-dependente” como o nosso chega a ser utopia. Mas não há muito a fazer: OTTs, plataformas de streaming e afins já são realidade na gringa, e chegarão por aqui em pouco tempo. E o próprio fortalecimento das estruturas de comunicação dos nossos clubes, com transmissões ao vivo e integração de canais — YouTube, Facebook Live, rádios online etc. — já são efeitos dessa tendência. 2018 é o ano de estruturar a abordagem a essa nova forma de oferecer e consumir futebol.

l

18. QUE POSSAMOS SEGUIR SONHANDO
COM O FUTEBOL POPULAR.

newport 001

A falência da (ex-)Ancona 1905, os problemas financeiros de FC United of Manchester e SV Austria Salzburg, e, ainda que tenha sido uma transição saudável, a saída da Pompey Supperters Trust-PST da administração do Portsmouth soaram como distopias. Mas, ao mesmo tempo, os exemplos do Unionistas de Salamanca que estão revivendo o espírito da velha UD Salamanca; de Wrexham e Newport County, que salvaram seus clubes de falências certas; da Ideale Bari, onde não há diferença entre campo e arquibancada; e de tantos outras pequenas e grandes realidades que surgem a todo momento na Europa nos dão esperança de que um futebol gerido por e para torcedores é possível.

l

Thiago Zanetin tem 32 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Europa.

Imagens: Divulgação.

l

Siga o Futebol Marketing nas redes sociais: facebook | twitter

Category: Futebol Marketing

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *