Premier League + Stonewall | Porque a parceria pró-LGBT+ é um bom negócio

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A essa altura, você já sabe: a Premier League firmou um acordo de três anos junto à ONG global Stonewall Foundation — a mesma da campanha “Rainbow Laces” — para incluir a população LGBT+ da Inglaterra e Reino (ex-)Unido no futebol, seja torcendo (com banimento de linguagem agressiva nos estádios e redes sociais dos clubes), trabalhando pela causa com os clubes e community clubs locais, e mesmo jogando.

Foi um triplo acerto. O primeiro, mais evidente — e urgente — é social. O segundo, institucional e de relacionamento, pois, além de somar à sua marca valores como tolerância, respeito à diversidade e promoção da igualdade, a Premier League responde às torcidas e coletivos LGBT+ que ainda buscam reconhecimento de seus clubes. E o terceiro — do qual já falamos, mas fazemos questão de repetir — é de negócios.

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A população LGBT+ desponta como um vetor de renovação financeira no futebol. Em 2015, a associação internacional empresarial Out Leadership estimou o potencial de consumo desse público em US$ 873 bilhões para o mercado europeu. Mundialmente, o chamado pink money já concentra US$ 4,2 trilhões em oportunidades.

Para entendermos melhor, vamos raciocinar com os números do Brasil. Em 2010, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE estimou a nossa população LGBT+ em 20 milhões de pessoas, sendo que quase 50% estão nas classes A e B. Ou seja, têm renda média mensal superior a R$ 3 mil. Recorrendo novamente à Out Leadership (dados de 2015), o potencial de consumo desse público, aqui, é de R$ 418,9 bilhões; o que representaria cerca de 23,3% do PIB de 2016 (fechado em R$ 1,796 trilhão, em recessão).

Percebeu? O futebol precisa estabelecer a sua fatia nesse bolo. (E o seu clube também — mas essa é uma discussão a que retornaremos em outro momento.)

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“Ah, mas mesmo com esses números vai ter muita resistência.” Sem dúvida. Também por isso, Premier League e Stonewall trabalharão juntas duante três temporadas. E, de mais a mais, o próprio futebol já foi muito marginalizado antes de se tornar popular. O público LGBT+ também torce e consome, mas hoje não se vê no jogo. Passou da hora de se ver. E se esse (novo) exemplo partir da PL — hoje a liga nacional mais assistida do mundo —, a influência será maior. Golaço-aço-aço.

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Thiago Zanetin tem 32 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Europa.

Imagens: Divulgação.

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