Por que o Rangers lançou sua primeira camisa de 2017-18 só em outubro?

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Prometemos no Facebook e pagamos aqui. Agora você vai saber porque a nova terceira camisa do Rangers foi o seu primeiro — e, provavelmente, único — lançamento de jogo junto à PUMA nesta temporada. Uma história que começa há uns bons (ou nem tão bons) anos atrás. Vamos nessa?

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No início de 2013-14, na segunda temporada do seu processo de reconstrução pós-falência — quando teve de reescalar a pirâmide do futebol escocês desde a Quarta Divisão —, o Rangers passou a contar com Mike Ashley no quadro de acionistas. Já proprietário do Newcastle United, da Inglaterra, Ashley entrou com 5% do pacote e pretensões de expandi-lo rapidamente por meio da sua Sports Direct a maior rede de varejo esportivo do Reino (ex?-)Unido.

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As mudanças foram rápidas: o Rangers migrou da Umbro para a PUMA — não por acaso, a mesma fornecedora do Newcastle — e fez da Sports Direct sua rede de vendas oficial por sete anos. O acordo, porém, era predatório: os light blues embolsavam apenas £ 0,07 de cada £ 1,00 vendido; e entre setembro de 2014 e 2015, a proporção chegou a £ 0,50 para £ 10,00.

“Mas por que aceitaram um acordo desse?, você se pergunta. Simples: porque Mike Ashley tinha se tornado credor do Rangers. Ainda — ou sempre — com o caixa bagunçado, e em meio à realidade deficitária das séries inferiores, o clube contraiu um empréstimo de £ 5 milhões junto ao empresário; o acordo com a Sports Direct, então, seria uma forma de pagamento. Cogitou-se até a hipótese, absurda, de ceder o naming rights do Ibrox Stadium a Ashley pelo preço simbólico de £ 1,00.

Esses números e intenções foram mantidos sob sigilo o máximo de tempo possível. E quando tudo estourou, no começo de 2016, a torcida — que já tinha uma representação mínima dentro do Rangers, através das então Rangers Supporters Trust e Rangers First, hoje unificadas no CLUB 1872 — foi para cima.

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O protesto? Simples: boicote. Nenhum centavo a mais para a Sports Direct até Mike Ashley sair do clube. Vendas, só na lojinha do Ibrox Stadium. Tudo justamente no momento em que se prospectava um grande faturamento, com o Rangers em vias de confirmar seu retorno à elite — que acabou acontecendo, e foi comemorado, em sua maioria, com camisas não oficiais, criadas e produzidas pela torcida. Nem o ótimo terceiro lugar na volta à Scottish Premier League-SPL, que valeu um passaporte para a UEFA Europa League, sensibilizou os torcedores.

Ato contínuo, bastidores em crise: Mike Ashley buscou usar a dívida para controlar o Rangers como forma de abatimento, sendo impedido pela Scottish Football Association-SFA; a PUMA sem vendas; o Rangers praticamente sem receita de merchandising, e pensando até em criar uma marca esportiva própria — ideia que não prosperou; e a torcida avançando no pacote de ações light blue — a única bom notícia em meio a esse turbilhão.

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Nem podemos imaginar quais arranjos foram feitos para que tudo se resolvesse; mas, resolveu-se. Às vésperas da atual temporada, o Rangers ficou com a PUMA e a Sports Direct — estabelecendo um contrato mais justo, e apenas por 12 meses — e sem Mike Ashley, que vendeu suas ações ao CLUB 1872. .

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É aí que, finalmente, chegamos ao ponto. Como o Rangers jogaria as fases preliminares da UEL (e sairia logo na primeira), não houve tempo para criar, aprovar e inscrever novos modelos de uniformes junto à UEFA e a SFA; e como os modelos de 2016-17 tinha sido “sub-vendidos” pelo boicote (leia-se: estoque encalhado), decidiu-se recolocá-los à venda, mas sem descartar novidades ao longo da temporada — a recém-lançada camisa preta.


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Como você vê, a nova camisa do Rangers é um manto de batalha. E popular — popularíssimo. Venda o que vender, quem comprá-lo certamente o fará com orgulho. Este clube não morreu, e ainda vive, porque tem torcida forte.

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Thiago Zanetin tem 31 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Europa.

Imagens: Divulgação.

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