Por que o Independiente segue como #ReyDeCopas mesmo sem o recorde de títulos internacionais

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Ontem (13), contra o Flamengo, no Maracanã, o Independiente ergueu a sua segunda CONMEBOL Sul-Americana. Foi a 17ª taça internacional da história roja. E ainda que hoje ocupe “apenas” o sexto lugar no ranking copero mundial — atrás do conterrâneo Boca Juniors (18), de Milan e Al Ahly (20 cada), e dos arquirrivais Barcelona (22) e Real Madrid (23) —, o clube continua a se chamar, e a ser chamado, de Rey de Copas. Por quê?

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Falar sobre isso, é falar — mais uma vez (e nunca é demais) — sobre percepção. Recorremos aos papas Al Ries e Jack Trout, que, lá pelas tantas de “As 22 Consagradas Leis do Marketing”, nos contam o seguinte:

“(…) Tudo o que existe no mundo de marketing são percepções nas mentes do cliente ou cliente em perspectiva. A percepção é a realidade. Tudo o mais é ilusão. Toda verdade é relativa. Relativa à nossa mente ou à mente de outro ser humano. (…)”

Existe, portanto, uma verdade quando o Independiente afirma ser — e os outros afirmam que o Independiente é — o Rey de Copas. Essa percepção foi construída em campo:

— com o recorde de títulos na CONMEBOL Libertadores (sete), com um ainda inigualado tetracampeonato consecutivo (1972, 73, 74 e 75) e nenhuma final perdida;

— com os bicampeonatos na antiga Copa Aldao, na saudosa Supercopa Libertadores e agora na Sul-Americana;

— e com a imponência de ter conquistado muitas dessas taças fora de casa (além das duas voltas no Rio de Janeiro, Assunção, Montevidéu, Santiago e, claro, Tóquio e Yokohama, são territórios rojos);

Diante desses e outros fatores, o fato de outros cinco clubes terem mais copas internacionais do que o Independiente é irrelevante. Só o rojo é, e sempre será, o Rey de Copas. Porque a cada nova taça o clube revalida essa percepção — ou seja, um título naturalmente evoca os demais. E isso está para o clube assim como o “tiki-taka” está para Pep Guardiola, o “futebol total” está para Johann Cruyff ou — para encurtarmos a distância — “La Mitad Más Uno” está para o Boca.

Boca, aliás, tem una copa más do que o Independiente e, mesmo assim, não é chamado de Rey de Copas na Argentina. E é um boquense que vai nos explicar o porquê.

A seguir, transcrevemos partes do que o narrador xeneize Mariano Closs falou (no vídeo acima) em 2010, logo após o Independiente ganhar sua primeira Sul-Americana, pondo fim a um jejum internacional de 15 anos:

“(…) O Independiente recobra a memória. Volta aos títulos, aos títulos internacionais. Porque é o ‘Rei de Copas’. (…) O Independiente voltou, senhores. Voltou ao mundo internacional. (…) Crescemos sabendo que o Independiente, quase antes de ser campeão da Argentina, alguns já crescemos sabendo que era campeão internacional. (…) O Independiente é conhecido por isso: pelos títulos internacionais. Não tenham dúvida. O Independiente é outra vez o ‘Rei de Copas’. Não importam quantas, não importa o lugar. O Independiente é o símbolo do ‘Rei de Copas’ (…)”

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Percebeu? Para torcedores, adversários ou qualquer um, mesmo que o Independiente não conquiste mais nenhuma copa internacional, não deixará de ser o Rey de Copas. Porque, recuperando Ries e Trout, “a percepção é a realidade.” Por se posicionar dessa forma, assim o rojo é percebido — e nós complementamos a frase de Closs: “não importam quantas” copas tenha e “não importa o lugar” que ocupe no ranking.

Rey de Copas, só existe um. Aquele mesmo que, ontem, deu a segunda volta olímpica de sua história no Maracanã.

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Thiago Zanetin tem 32 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Europa.

Imagem: Divulgação.

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