O sucesso da camisa-passaporte do River Plate. Ou: quando a rivalidade vende

Quatro dias antes de decidir a Copa Sancor Seguros Argentina, no finalzinho de 2016, o River Plate tomou um duro golpe: caiu, em pleno Monumental de Nuñes, por 4×2 no superclasico frente ao Boca Juniors pelo Campeonato Argentino, com show do então coração xeneize (agora chinês) Calos Tévez. Um consolo para os boquenses, que acabaram ficando fora de qualquer torneio da CONMEBOL em 2017. E, indiretamente, uma motivação a mais para a equipe millonaria buscar o título que lhe daria uma vaga na atual Conmebol Libertadores Bridgestone — e também uma chance de tripudiar sobre o arquirrival.

Eis que no dia 15 de dezembro deu-se a melódia: River Plate campeão da Copa Sancor Seguros Argentina e garantido na fase de grupos da Libertadores. Hora de provocar o Boca: ao invés das tradicionais camisas de ativação para títulos, os millos vestiram uma versão alternativa do manto de jogo, que trazia na frente um selinho de PASSAPORTE APROBADO e, nas costas, uma mensagem de PASSAPORTE AL DÍA. A ação deixou o clube em destaque na imprensa hermana pelo resto do ano, e a torcida rapidamente comprou a brincadeira. E como comprou.

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Em 20 dias, a camisa-passaporte do River Plate já vendeu mais de 20 mil unidades. O que representa 3,5% do total de vendas do clube na temporada 2016 junto à adidas — com quem mantém o maior contrato de fornecimento esportivo do futebol argentino. Se quisermos pensar em números, uma conta rápida: 999 pesos argentinos por camisa X 20 mil unidades = 19,98 milhões de pesos argentinos movimentados (e uma boa porcentagem irá para os cofres de Nuñez).

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Moral do case: rivalidade faz parte do negócio e — desde que com inteligência e responsabilidade — deve ser incentivada e ativada. O River alcançaria esses números sem ter o mote de provocação ao Boca? Provavelmente não. Assim como o Boca, ao sair campeão do Campeonato e da Copa Argentina em 2015, brecando uma grnde sequência de sucessos do River, estourou de vender uma camisa da Nike com os dizeres Vuelve Todo a la Normalidad (“Voltou Tudo ao Normal”). Rivais se complementam e podem embalar ações de oportunidade, sim.

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E um último comentário: mais do que o River Plate, os seus torcedores e adidas, quem deve estar adorando essa história é a Netshoes, que, mesmo com o contrato de patrocínio encerrado () esteve presente na conquista no lugar da Hauwei (erro do clube) e segue ganhando uma exposição inesperada de graça. Tudo em casa, já que a empresa ainda é parceira do Boca — o “promotor indireto” desse sucesso.

Thiago Zanetin tem 31 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Serie A e na Europa.

Imagens: Divulgação.

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