O #FlaFlu das Américas em lances de Nelson Rodrigues

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Ontem (1º), no Maracanã, Flamengo e Fluminense fizeram mais um daqueles Fla-Flus eternos. Em jogo, uma vaga nas semifinais da CONMEBOL Sul-Americana. O Flu precisava reverter o 0x1 da ida. O Fla, no mínimo, cravar o empate. Voltas tricolores, revira-voltas rubro-negras. No limite do crível, quando parecia ser o dia do Flu, acabou sendo a noite do Fla, num 3×3 pirotécnico.

Tão bom, que ficamos imaginando o que tricolor de coração — e, ao mesmo tempo, desproporcionalmente admirador flamenguista — Nelson Rodrigues escreveria em uma daquelas suas célebres crônicas de dia seguinte. Resolvemos a questão pinçando oito frases que, para nós, definiram os vários climas do “Fla-Flu das Américas”.

É a nossa homenagem a esse clássico, que foi — e sempre será — a primeira grande marca popular do futebol brasileiro, e a Nelson Rodrigues, nosso ídolo. Vamos nessa?

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PRÉ-JOGO

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“O Fla-Flu começou 40 minutos antes do nada.”

Imortalizada no título do excepcional documentário “Fla x Flu — 40 Minutos Antes do Nada”, essa é a frase de Nelson que desperta e traduz as expectativas das multidões. Não sabemos se consta de alguma de suas crônicas ou se foi apenas falada. Mas, que importa? Está no imaginário do povão.

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3’ 1ºT — Fla 0x1 Flu

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“Enquanto morria um mundo e começava outro, eu só via o Fluminense.”

Quando, logo no comecinho do jogo, Lucas recebeu na esquerda para fuzilar Diego Alves, o confronto geral chegava ao empate: assim como o Flamengo, o Fluminense também marcava o seu gol de visitante. Nesse momento, nas arquibancadas, os dois lados se uniam na pressa da dúvida — “Será que o Fla-Flu vai ser nosso?”, questionavam-se, eufóricos, os tricolores; “Será que o Fla-Flu vai ser deles?”, perguntavam-se, preocupados, os rubro-negros.

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9’ 1ºT — Fla 1×1 Flu

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“Cada brasileiro, vivo ou morto, já foi Flamengo por um instante, por um dia.”

Daí, chega o gol. De falta. Com a bola lá, parada, captando as vibrações — “dentro”, clamam os flamenguistas, “fora”, pedem os tricolores. E, para a vibração do Flamengo, entrou. Diego Ribas foi o nome da alegria e, por um instante — e ainda que estivesse em campo —, mais um dos rubro-negros que deliravam nas arquibancadas. A classificação voltava à Gávea.

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41’ 1ºT — Fla 1×2 Flu

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“O Fluminense nasceu com a vocação da eternidade. Tudo pode passar. O tricolor não passará jamais.”

O “tudo” que passou foram 32 minutos. Tempo para o Fluminense absorver o golpe e os gritos rivais, incorporar os que vinham da sua torcida, e voltar ao jogo de cabeça erguida. Força de expressão que ganhou ares de profecia quando Renato Chaves subiu mais que a zaga do Flamengo para colocar o Flu na frente. Agora, a vaga estava no caminho de Laranjeiras.

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9’ 2ºT — Fla 1×3 Flu

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“Grandes são os outros. O Fluminense é enorme.”

E tão enorme que, mais uma vez, foi maior do que a zaga do Flamengo. Outra vez Renato Chaves, outra vez de cabeça — outra vez as palavras ganhando ares (ou altitudes) de profecia. Agora, o Flamengo precisaria fazer, no mínimo, mais dois gols. Em Laranjeiras, já consultavam as tarifas dos próximos vôos internacionais.

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22’ 2ºT — Fla 2×3 Flu

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“O Flamengo tornou-se uma força da natureza e, repito, o Flamengo venta, chove, troveja e relampeja.”

Uma provocação: o Flamengo teria reagido, como reagiu, se não sofresse o terceiro gol? Porque, se é verdade a mística de que o Mengão cresce na dificuldade, ora, então quanto maior for o aperto, maior será a resposta. Numa bola que parecia vadiar pelo campo de ataque, Evérton deu de calcanhar para Felipe Vizeu, na entrada da área, justiçar Cavialieri. Faltava um gol. Mas ainda faltava tempo. E começava a sobrar mais Fla do que Flu em campo.

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38’ 1ºT — Fla 3×3 Flu

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“Há de chegar o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará a camisa, aberta no arco.”

Um gol, para qualquer lado, e o Maracanã viria abaixo. A expectativa estava nas alturas. E foi pelo alto que William Arão deu números finais à disputa. Um gol ricocheteado (no travessão, no chão), sofrido como o jogo. Bem como o flamenguista gosta. Bem como o tricolor não gostaria. A América do Sul reabria seus braços à Gávea, agora de vez.

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PÓS-JOGO

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“Amigos, eu sei que os fatos não confirmaram a profecia. Ao que o profeta só pode responder: — ‘Pior para os fatos!’ E só.”

Como todo tricolor de respeito, Nelson Rodrigues esperava uma vitória do Fluminense. E, como só ele, jamais admitiria a derrota — até porque, foi um empate. Rodriguianamente, ele seria mais um dos tantos que se consolariam no próprio sentimento de grandeza, na certeza de que só o Flu poderia não ganhar um Fla-Flu desses.

Todo aquele eu estoicismo de derrotado (ou não vencedor), porém, deixamos para que cada um imagine — porque, faltando-nos as palavras de Nelson, é impossível tentar reproduzi-lo. Temos a certeza, porém, de que o sentimento desse “Fla-Flu das Américas” pode ser traduzido numa frase pinçada de sua famosa crônica “Chega de Humildade”, que exaltava o Fluminense campeão carioca de 1969 sobre o Flamengo: “Daqui a duzentos anos a cidade dirá, mordida de nostalgia: — ‘Aquele Fla-Flu!’”.

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Thiago Zanetin tem 32 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Europa.

Imagens: Divulgação.

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