MKT DE TORCIDA | Movimento “O Povo do Clube” leva plano popular ao ST do Inter

“Colorado, Colorado, nada vai nos separar”, cantam, jogo sim, jogo também, os torcedores do Internacional. Tanto, que esse mantra de arquibancada foi transformado no lema para a reconstrução do clube após o rebaixamento para a Série B. Mas a verdade é que, da Copa do Mundo FIFA 2014 para cá — no mínimo —, há, sim, algo separando os torcedores: a elitização das arquibancadas no Beira-Rio.

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Sempre que se fala na elitização dos estádios, surge o contra-argumento de que “é mal necessário, porque os clubes precisam faturar”. É verdade: os clubes precisam faturar. É aí que começam as reflexões. Primeira: fatura-se mais quando se conta com um público a menos? Segunda: o público excluído (porque, sim, a precificação elevada de ingressos exclui) deve ser justamente aquele mais leal, que bancou o clube durante a maior parte de sua história? E quanto mais pensarmos no assunto, mais clara fica a ideia de que os populares são fundamentais — na arquibancada e nos negócios.

Agora, pegue tudo isso que falamos — e muito mais —, pinte de vermelho e branco, e jogue no Internacional. Pronto: chegamos ao movimento sócio-político popular “O Povo do Clube” (inversão da história alcunha colorada “O Clube do Povo”), que, desde 2012, em suas próprias palavras “mobiliza sócios e torcedores para lutar pela valorização da identidade popular do Inter”. E nesta semana, mais precisamente na última segunda-feira (26), essa luta deu um grande resultado.

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Proposta e causa central d’O Povo do Clube nos últimos tempos, o plano de associação popular ao Internacional foi finalmente aprovado pelo seu Conselho Deliberativo. Agora, por uma mensalidade de R$ 10,00, os torcedores de baixa renda terão acesso a ingressos nas zonas livres do Beira-Rio (arquibancadas inferior ou superior), também por R$ 10,00. A princípio, foram abertas 2 mil vagas para a nova modalidade, incorporada ao ST colorado. Em “marketês”, diríamos que é uma “estratégia de massificação”; mas, na verdade, é um resgate: é o Inter trazendo de volta ao estádio quem não poderia ter saído de lá — e ainda mais nesta temporada de Série B, em que a arquibancada joga mais junto do que nunca.

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E, consumado o ato, só nos resta provar a viabilidade desse projeto. Vamos começar com o programa de Sócio-Torcedor. Durante 2015, em seu ápice de performance dentro do Movimento Por Um futebol Melhor, o colorado chegou a contar com quase 148 mil associados. Hoje, está em pouco mais de 112 mil. Se, em números redondos, essas 36 mil adesões que faltam fossem preenchida pelo novo plano de associação popular, o Inter embolsaria, apenas com mensalidades, R$ 360 mil por mês; e, consequentemente, R$ 4,32 milhões por ano.

Nas arquibancadas, é lógica é a mesma: o Inter caiu da Série A levando, em média, 25.421 pessoas ao Beira-Rio; na Série B, até aqui, essa média recuou para 17.708; com o ingresso a R$ 10,00 do novo plano de associação popular, esses 7.713 torcedores que estão fora do estádio injetariam R$ 77.130,00 nos cofres do Inter a cada jogo. Ou seja, em seus primeiros quatro jogos na Segundona, o clube veria seu faturamento bruto de bilheteria aumentar em R$ 308.520,00 — valor que supera as rendas brutas de 13 dos seus 19 companheiros de campeonato até aqui.

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Então, sim, futebol popular é viável. E se os clubes se esqueceram disso, a torcida faz muito bem em lembrar e agir. Nossos parabéns ao movimento O Povo do Clube. Por essa e pelas próximas vitórias que virão.

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Thiago Zanetin tem 31 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Europa.

Imagem: Divulgação.

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