Milan e PUMA podem fechar por valor baixo? O campo explica o porquê

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Na última terça-feira (10), repercutimos a informação do jornal La Gazzetta dello Sport de que a adidas está em vias de rescindir seu contrato com o Milan no final da atual temporada. Àquela altura, sempre segundo a Gazzetta, Nike, Under Armour e New Balance despontavam como substitutas. Mas essas hipóteses parecem ter caducado hoje (13), com vários meios italianos — FOX, Corriere dello Sport, La Stampa e TuttoSport, entre outros — bancando que a PUMA ultrapassou a concorrência e já está acertada para vestir o diavolo a partir de 2018-19.

A notícia fica meio-amarga para os torcedores rossoneri quando chegamos às cifras especuladas para esse acordo: entre € 10 milhões e € 15 milhões anuais ou seja, entre 25% e 50% menos do que os € 20 milhões que o Milan vem recebendo, em média, da adidas desde a última renovação do vínculo, em 2013 (€ 200 milhões em 10 anos). Por que tão “pouco”? Então, não é pouco: hoje, agora, é o justo.

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Nos gramados, como nos bastidores, “futebol é momento”. E o mau momento que o Milan vem atravessando nos últimos anos — e que busca reverter nesta temporada, com a estreia de sua nova, riquíssima propriedade chinesa — redimensionou o alcance comercial do clube.

Como dissemos aqui, a base da insatisfação da adidas com o Milan é que a baixa performance em campo estava (ou está) resultando em baixas vendas. Analisando números recentes, e falando só sobre camisas de jogo:

— em 2015-16, o diavolo, que fechou em 7º colocado na Serie A TIM e vice na TIM Cup, não carimbando vaga em nenhuma copa européia, tinha vendida cerca de 200 mil mantos, ao passo que a Juventus, sua (ainda) companheira de portfólio, mais do que dobrou esse número ganhando “apenas” € 3 milhões a mais — e, recorde-se, abrindo mão da gestão de merchandising da adidas; e

— ao final de 2016, segundo reports internacionais, a diferença do volume de vendas entre ambos favorecia à Juve em 50%.

Mais do que isso: levantamentos recentes foram unânimes em apontar o Milan entre o 10º e o 16º lugares entre os vendedores de camisas mundo afora em 2016, (muito) atrás dos outros A clubs da adidas na época — Real Madrid, Chelsea (que migrou para a Nike), Bayern e Juventus. Nessas circunstâncias, a relação investimento x retorno provavelmente deixou a marca das três listras numa encruzilhada: nem o diavolo é tão desimportante que mereça um “rebaixamento comercial”, nem dá tanto resultado para justificar o investimento.

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E é nesse cenário, com esses números, que o Milan negocia com a PUMA. Salvo por um grande fato de marketing (entenda-se: a descoberta de um Neymar. — hoje, a principal imagem é “apenas” Donnarumma), os € 10 milhões a € 15 milhões anuais parecem mais bem pagos. As possibilidades fora essa cifra, porém, são ótimas: com a PUMA, o Milan se manteria como A club com correspondência em mercados como Alemanha (Borussia dortmund e, futuramente, Borussia M’gladbach) e Inglaterra (Arsenal), ganharia a França (Olympique de Marseille) e o México (Chivas) e, na Itália, teria o diferencial de vestir a mesma marca da Seleção.

Vai dar negócio? Vamos aguardar.

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Thiago Zanetin tem 32 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Europa.

Imagens: Divulgação.

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