Juventus chega ao futebol feminino italiano. Onde já existe outra Juventus

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Ainda que indique representantes para a UEFA Women’s Champions League, o futebol feminino ainda é um esporte de base amadora na Itália, visto que a organização de seus campeonatos é feita pela Lega Nazionale Dilettanti-LND — a Liga Nacional de Amadores, subordinada à Federazione Italiana di Giuoco Calcio-FIGC (a “CBF” de lá).

A própria Federação, porém, traçou um plano (óbvio) para desenvolver a modalidade: vincular equipes femininas aos clubes masculinos. Foi assim, por exemplo, que a antiga ACF Firenze se tornou a Fiorentina Women’s, atual campeã do scudetto e Coppa Italia. Esquadras como Hellas Verona (AGSM Verona), Empoli (Empoli Ladies), Udinese (Udinese Calcio Femminile), Bologna (ASD Bologna Femminile), Lazio (SS Lazio Women) e Sassuolo (Sassuolo Calcio Femminile) também aderiram ao projeto. E agora chegou a vez da Juventus.

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Nos últimos dias, a Juve adquiriu o título esportivo do já ex-Cueno Calcio Femminile, 7º colocado na Serie A 2016-17. De imediato, a Signora ganha a certeza de estrear na elite e disputar o campeonato nacional de juniores (Primavera), com os compromissos — não obrigatórios na primeira temporada — de inscrever uma equipe de base nos campeonatos regionais de Giovanissime e vincular 40 meninas sub-12 em sua estrutura de base.

Naturalmente que, em sintonia com a mentalidade da Vecchia Signora, a chegada ao futebol feminino também é um negócio. Primeiro porque, como você já leu aqui, a modalidade está em franca ascensão na Europa, e a Itália está muito (mas muito) atrás de suas companheiras de TOP 5 — França, Alemanha, Inglaterra e Espanha —, bem como de outros centros tradicionais, como Suécia, Dinamarca e Noruega; a Juve, então, chega para impulsionar a Bota a melhores dias. E segundo porque o público feminino é fundamental para o salto de consumo, boleiro, casual e cultural, que a Juventus pretende atingir com a sua nova marca — como ficou claro em sua mais recente ativação.

E é justamente na marca que está o único “porém” dessa nova investida bianconera. Porque já existe uma Juventus no futebol feminino italiano.


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Fundada em 1978, a ASD Femminile Juventus Torino, utiliza não só o mesmo nome, mas as mesmas cores (branco e preto), o mesmo mascote (a zebra) e, até antes do rebrand efetuado pela Vecchia Signora, praticamente o mesmo símbolo. E não é um clube qualquer, já que disputará a Serie B em 2017-18 e, após a fusão de 2009 com a ex-Real Canavese, opera com diversas equipes de base.

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Estranho? Sim, mas é um caso comum. Basta passearmos pelas divisões do futebol feminino italiano para encontrarmos várias equipes homônimas e “semi-homônimas” de times masculinos — como RES Roma, Inter Milano, Grifo Perugia, Alessandria, Torino e Brescia, entre outras. — que, assim como a ASD Femminile Juventus Torino, não têm qualquer relação formal com os clubes dos quais “emprestaram” o nome.

Uma situação que se explica por ser o futebol feminino, como já dissemos aqui, um esporte de base amadora na Itália — ou seja, muitos desses nomes são homenagens ou “caronas” bem-intencionadas; e porque a imensa maioria dos clubes profissionais italianos ainda nem sonham com uma verdadeira gestão de marca. Sabemos que a Juventus vai na contramão desse atraso. E por isso, estamos curiosos em saber como a Signora vai lidar com essa situação: contestará, unirá forças (algo que seria muito interessante) ou, simplesmente, irá ignorar o caso?

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Thiago Zanetin tem 31 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Europa.

Imagem: Divulgação.

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