Itália sem #Copa2018: um desastre financeiro em 5 atos

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Era impensável, mas aconteceu: a Itália não vai à Copa do Mundo FIFA 2018. Será a primeira vez desde 1958, na Suécia — que, coincidência ou não, foi a algoz. E se há algo mais dramático de que um Mundial sem a Azzurra, é a Azzurra sem o Mundial. A seguir, FutMKT resume, em cinco atos, a tragédia financeira que o futebol italiano deverá enfrentar.

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ATO I
PREMIAÇÃO

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Chegar à Copa do Mundo FIFA 2018 é garantir, de cara, US$ 1,5 milhão. Depois, os prêmios — que não são cumulativos — variam conforme a campanha final: US$ 8 milhões para as seleções que encerrarem suas participações na fase de grupos; US$ 12 milhões nas oitavas; US$ 16 milhões nas quartas; US$ 22 milhões pelo quarto lugar; US$ 24 milhões pelo terceiro lugar; US$ 28 milhões pelo vice; e US$ 38 milhões pelo título. A fatia da Itália nisso tudo? Zero.

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ATO II
PATROCÍNIOS

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Fora a PUMA — já chegaremos a ela —, a Federazione Italiana di Giuoco Calcio-FIGC conta com outros 20 patrocinadores, sendo: três main sponsors (Poste, Fiat e TIM); quatro premiums (Lete, Lidl, Intralot e San Carlo); um parceiro de moda (Ermannno Scervino); dez parceiros oficiais (Nutella, Frecciarossa, Fassi, Swisse, Radio Italia, Corriere dello Sport, Costa d’Oro, Goleador, Magniflex e Dixan); e dois técnicos (Sixtus e Technogym).

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Ao todo, e de acordo com o balanço de 2016 da FIGC, esse portfólio vale cerca de € 24,3 milhões por temporada. Com a Azzurra fora da Copa, estima-se uma perda imediata de € 8 milhões — que englobam uma penalidade € 3 milhões entre penalidades e renovações que não acontecerão automaticamente. Contratos podem ser perdidos? O mais provável é que sejam renegociados para baixo, em vista da UEFA Nations Cup e das eliminatórias para a UEFA EURO 2020.

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ATO III
MERCHANDISING

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Identidade visual nova e camisa apresentada pelo maior ídolo azzurro em atividade — que estava em vias de se tornar o primeiro atleta a disputar seis Copas. 2017-18 era o ano certo para Itália e PUMA arrebentarem no merchandising — confirmando o crescimento da UEFA EURO 2016 e, talvez, chegando perto das mais de 2 milhões vendidas em 2009-10, quando a Azzurra foi à África do Sul para defender o tetra.

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Mas o campo traiu o planejamento: a nova identidade visual está maculada pela eliminação, Buffon (é ele o “maior ídolo azzurro em atividade”) já deu adeus à seleção e, da ambição de vender 2 milhões de peças, chega-se, com base no balanço de 2016, a um prejuízo estimado de quase € 1,5 milhão a menos em royalties — o que, numa relação 20-80, “tiraria” cerca de € 6 milhões dos caixas da PUMA, que, por contrato, ainda deverá injetar € 18,7 milhões por temporada nos cofres da FIGC. Um desastre.

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ATO IV
MÍDIA

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Itália 0x0 Suécia foi, até aqui, o evento mais assistido na TV italiana: 14,799 milhões de espectadores combinados, com 48,4% de share — e isso sem contar os programas pré e pós-jogo. É um número muito próximo da audiência interna estimada de 17 milhões para a Copa, que agora deve ficar entre 12 milhões e 13 milhões.

Quem paga a diferença? Num primeiro momento, a FIFA, que pensava atingir € 180 milhões em broadcasting no mercado italiano e, segundo a ANSA, já diminuiu suas expectativas para € 80 milhões. E, no médio prazo, a própria FIGC, que: dificilmente manterá os € 26,3 milhões que recebe atualmente da estatal RAI na próxima concorrência de mídia; e não entregará exposição qualificada aos seus patrocinadores (270 horas só em 2016) — outro motivo para, como já citamos, renegociar os contratos para baixo.


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O problema, porém, não se restringe à TV. Menos de 24 horas após a eliminação da Itália, o grupo de mídia que edita a La Gazzetta dello Sport — o maior diário esportivo da Itália — viu suas ações caírem 7%. E se a boa campanha azurra na UEFA EURO 2016 levou € 2 milhões em publicidade ao caixa da rosea, quanto essa eliminação mundial poderá tirar?

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ATO V
APOSTAS

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Ainda que o calcio sempre se veja em envolvidos em escândalos de apostas, os italianos não param de jogar. Na Copa de 2014, foram gastos — prepare-se — € 268 milhões em apostas, dos quais € 10 milhões foram para os cofres federais. Com a Itália fora, espera-se que esse montante — e, consequentemente, a arrecadação de impostos — caia. Quanto? Bem, tendo novamente como parâmetro o Mundial do Brasil, os três jogos da Itália geraram € 19 milhões; ou seja, 7% a menos. Não é pouco.

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Thiago Zanetin tem 32 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Europa.

Imagens: Divulgação.

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Category: Futebol MarketingMercado

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