#FalaFanático | Torcedor do Juventude, Franco Garibaldi fala sobre a 19Treze

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Damos início hoje (10) a uma nova coluna no FutMKT: #FalaFanático. Um espaço em que o conteúdo vem de você, leitor. Afinal, se o futebol pertence ao torcedor, o nosso site é a sua casa, certo? E já começamos abordando um tema que vem chacoalhando o mercado boleiro nacional: afinal, vale a pena os clubes investirem em suas próprias marcas esportivas? O juventudista Franco Garibaldi nos mostra que, fora dos grandes centros, essa aposta pode ser um acerto. Formado em Direito e colunista do excelente blog Toda Cancha — especializado no futebol do interior gaúcho (clique e conheça) —, ele divide conosco um pouco da história, dos números e das suas impressões sobre a 19Treze, marca que o Juventude lançou às vésperas da final do Gauchão 2016. Um texto que não deixa claro o grande interesse de Franco em marketing e gerenciamento, como também mostra proximidade com a vida do Ju. Fala, Franco!

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19Treze: o poder da marca própria
fora dos grandes centros

No final de 2015, quando a Kappa foi anunciada como a nova fornecedora de material esportivo do Juventude para o biênio 2016/2017, a impressão passada ao torcedor era de novos e bons tempos estarem voltando ao estádio Alfredo Jaconi. Uma marca italiana num clube de mesma origem logo remeteu o pensamento aos tempos da Diadora, época em que o clube conquistou de forma invicta o Campeonato Gaúcho de 1998. O material agradou a torcida e a boa campanha do Ju no estadual alavancou as vendas na loja oficial do clube.

Foi neste momento em que tudo começou a ruir entre as partes. Talvez por apostar em uma estratégia arrojada demais para seu retorno ao mercado brasileiro, a marca italiana não conseguiu suprir a contento o fornecimento de materiais para seus clubes, o que se agravou com relatos de problemas na qualidade dos mesmos. Para um clube do porte do Juventude, cujo contrato de fornecimento se dava sem valores envolvidos, mas apenas com o fornecimento do enxoval para todas as suas categorias, isso se tornou um problema ainda maior do que em outros clubes de maior projeção, que já travavam batalhas judiciais com a empresa pelas mesmas razões.

Não seria possível permanecer com pouco material para uso do clube e falta de camisas à venda para seu torcedor, desperdiçando um momento único na fase de reestruturação do Juventude após tantos anos amargos dentro e fora de campo. Chegava o momento de colocar em prática uma ideia que já era amadurecida internamente no clube e que, em razão das circunstâncias, teria que ser concebida o quanto antes.

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Foi assim, a partir do precoce rompimento com a Kappa, que surgiu a 19Treze. O Juventude seguiu utilizando o material antigo até o primeiro jogo das finais do Campeonato Gaúcho de 2016, quando finalmente pôde estrear sua nova roupa, levando seu próprio nome, no jogo decisivo, com visibilidade ímpar, antes mesmo de mostrar sua nova linha de produtos ao seu torcedor, o que só ocorreu após o fim do campeonato.

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Identidade e controle

Com a produção terceirizada para uma empresa local (Mar Um Sports) e a elaboração da marca e dos produtos feita por profissionais identificados com o clube (Ricardo Brisotto, da agência Tonificante), pontos importantes como a identidade do uniforme e demais peças da linha oficial, bem como o controle sobre a produção e o fornecimento das mesmas para as equipes e para as lojas são asseguradas, justamente o que era um problema com a fornecedora anterior. Além disso, o valor das peças acaba sendo menor do que a média praticada pelo mercado, gerando um interesse ainda maior por parte do torcedor e este ainda colabora de forma mais efetiva com o clube, uma vez que um percentual maior do valor de cada peça vendida é revertido para o Juventude.

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Assim, a iniciativa de lançamento de marcas próprias por clubes pequenos e médios (ainda que grandes regionalmente) passa a ser uma opção muito mais interessante do que a tradicional busca por fornecedoras tradicionais, que não raras vezes se utilizam de modelos padrão – apenas alterando cores e pequenos detalhes – para seus clubes, além de não gerarem receita efetiva para estes. O Juventude não é o pioneiro neste caminho, tendo aprendido muito com a experiência do Paysandu, nem será o último a trilhá-lo, diante das notícias de outros clubes em busca destes benefícios (caso do Joinville).

Não deixa de ser curioso que esta busca dos times pelo controle de sua identidade seja um fenômeno mundial. Mesmo que por causas diversas, clubes europeus de médio e pequeno porte também estão deixando marcas tradicionais em busca de fornecedores menores que garantam para eles a identidade perdida em templates padrão que dominaram a indústria nas últimas décadas.

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O que esperar para 2017?

Se 2016 já foi bastante proveitoso com o lançamento de sua marca própria, o que trouxe ao Juventude o reforço de sua identidade junto ao seu torcedor, já bastante solidificada em razão das dificuldades vividas pelo clube na última década como pelo enfrentamento desigual do futebol do interior com os clubes da capital, a esperança é que, em 2017, a 19Treze se consolide como marca e continue com o bom trabalho desempenhado em seu primeiro semestre de existência.

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Logo em seu primeiro ano, a marca própria levou aos torcedores uma linha muito mais ampla de produtos, passando do tradicional combo “camisa/calção/meião”, para a adição de itens como jaquetas, moletons (estes devidamente de acordo com o clima local), camisas de treino, camisas de passeio, camisas de jogo com modelagem feminina, mochilas, bermudas, bonés. E não parou aí.

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Em razão do clima da serra gaúcha, já citado anteriormente, até mesmo camisetas de jogo de manga longa, atualmente não mais confeccionadas por várias marcas, foram produzidas atendendo a inúmeros pedidos dos torcedores. Além disso, a marca própria propicia o lançamento de camisas especiais com muito mais agilidade, caso da camisa “Verde por Natureza”, lançada em 21 de setembro (Dia da Árvore), em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente de Caxias do Sul, que garantiu o plantio de uma muda de árvore a cada camiseta comercializada.

Para este ano, a expectativa da torcida é que o bom trabalho desempenhado pelo Juventude, seja dentro de campo, com o acesso garantido à série B nacional, como fora, com o lançamento da 19Treze, seja mantido. Apesar de nada ter vazado até o momento sobre o novo modelo a ser utilizado pelo clube em 2017, já se sabe que o processo de desenvolvimento da nova linha já está em andamento, com os desenhos sendo apresentados à comissão responsável pela área de marketing. Agora, cabe ao Ju aproveitar este bom momento e buscar o retorno financeiro projetado para 2017, estimado em R$ 300.000,00, conforme o diretor de marketing do clube, Walter Dal Zotto Júnior.

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Franco Garibaldi tem 39 anos, é formado em Direito, torcedor de Juventude, escreve para o blog Toda Cancha e (muito) interessado em gerenciamento e marketing esportivo. Fale com ele!

Imagens: Divulgação.

Category: ColunasMarketingMercado