Entendendo a Análise Econômico-financeira 2017 do Itaú BBA

Nesta semana, o Itaú BBA — o braço de atacado, tesouraria e investimentos institucionais do grupo Itaú — publicou a versão 2017 do seu relatório “Análise Econômico-financeira dos Clubes de Futebol Brasileiros”, que considera os dados e informações públicos relativos à temporada 2016. E, da mesma forma que repercutimos estudos gringos, vamos falar também sobre esse. Acompanhe.

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CENÁRIO

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O levantamento do Itaú BBA foi feito sobre 27 clubes: América-MG, Atlético-MG, Atlético-PR, Avaí, Bahia, Botafogo, Chapecoense, Corinthians, Coritiba, Criciúma, Cruzeiro, Figueirense, Flamengo, Fluminense, Goiás, Grêmio, Internacional, Joinville, Náutico, Palmeiras, Ponte Preta, Santa Cruz, Santos, São Paulo, Sport, Vasco da Gama e Vitória. Considerando suas receitas (as recorrentes e as não recorrentes — como as da venda de atletas e, em alguns casos, das “luvas” dos novos acordos de TV Fechada para 2019-22), dívidas e investimentos, o futebol brasileiro arrecadou mais de R$ 4,3 bilhões, crescimento de 20% em relação a 2015.


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“Então estamos em alta?” Sim. Mas a composição desse resultado inspira cuidados. Como você vê no gráfico acima, a TV responde por praticamente 50% da arrecadação, enquanto o combo bilheteria-ST decresce. Recessão econômica à parte, isso nos mostra (ou confirma), por um lado, a “tendência” que os clubes têm de se distanciar da torcida ao fazer negócios; e, por outro — e essa interpretação é nossa —, que as nossas janelas de transferência, escancaradas para a Europa e Ásia, esvaziam o espetáculo.

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Já as receitas com publicidade de 2016 podem ser analisados de duas formas: com e sem a Crefisa. Com ela, a arrecadação sobre 1%; sem ela, cai 4%. Isso porque a máster do Palmeiras respondeu, sozinha, por 17,6% dos ganhos entre os 27 clubes analisados, batendo de frente com a “CAIXA-dependência”. Não por acaso, o Verdão abocanhou a maior fatia do setor em 2016, à frente de Corinthians e Flamengo, que tiveram a estatal na camisa (o Mengão ainda tem). Esse cenário vai mudar em 2017, na pista do duelo entre palmeirenses e flamenguistas pelo manto mais valioso do País.

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CLUBES

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27 clubes analisados? Não: 2+25. Flamengo e Palmeiras, por enquanto, são incomparáveis aos demais. Juntos, rubro-negros e alviverdes responderam por mais de 1/3 da geração total de caixa levantada pelo Itaú BBA: 21% para o Mengão e 17% para o Verdão no balanço pré-EBITDA (ou seja, antes de impostos, depreciação e amortização). No pós-EBITDA, a conta de inverte: 11% para o Palmeiras e 9% para o Flamengo — o que se explica, por exemplo, pelo fato de os palmeirenses terem feitos grandes investimentos recentes em infraestrutura e possuírem um dívida total menor.

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É interessante observar que a maioria das receitas de Palmeiras e Flamengo são recorrentes, ou seja, “previsíveis”. O Palmeiras, em particular, apresentou crescimento em todas as frentes — TV, patrocínio e bilheteria-ST —, além de ter sido “beneficiado” pela negociação de Gabriel Jesus junto ao Manchester City, que ajudou, e muito, a operação do clube nas janelas de transferências saltar de R$ 5 milhões em 2015 para R$ 51 milhões em 2016. Tudo isso fez com que o clube atingisse o maior faturamento do País: R$ 469 milhões.

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Já o Flamengo arrecadou R$ 408 milhões, na força da TV (69%) e da sua gestão de gastos, já que os rendimentos com publicidade e bilheteria-ST decresceram, respectivamente, 22% e 10% em relação a 2015. Como já comentamos, esse quadro será revertido nesta temporada, pelos novos acordos de patrocínio e pela estabilidade do “Ninho do Urubu” (Estádio Luso-Brasileiro) como casa fixa flamenguistas pelos próximos anos.

Abaixo, você tem o TOP 10 de faturamento do nosso futebol em 2016 segundo o Itaú BBA — contando com as surpreendentes presenças de Vasco (9º) e Internacional (10º), respectivos promovido e rebaixado para a Série B na temporada:

1. Palmeiras: R$ 469 milhões;

2. Flamengo: R$ 408 milhões;

3. São Paulo: R$ 369 milhões;

4. Corinthians: R$ 336 milhões;

5. Atlético Mineiro: R$ 300 milhões;

6. Santos: R$ 245 milhões;

7. Cruzeiro: R$ 225 milhões;

8. Grêmio: R$ 225 milhões;

9. Vasco: R$ 213 milhões;

10. Internacional: R$ 212 milhões.

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Thiago Zanetin tem 31 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Europa.

Imagem: Divulgação.

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