Entenda a “cláusula #UCL” da parceria entre Manchester United e adidas

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Chegou a hora. Nesta semana (quarta-feira, 24), em Estocolmo, na Suécia, o Manchester United decidirá a UEFA Europa League, frente ao Ajax.

Se ganhar, o clube consolidará uma premiação de € 14,69 milhões (pouco mais de R$ 53,471 milhões, sendo € 1,00 = R$ 3,64), complementada por uma boa fatia dos € 160 milhões (RS 58,24 milhões) destinados ao market pool e, principalmente, pela vaga na fase de grupos da próxima Champions League, que, logo de cara, pagará € 12,7 milhões (R$ 46,228 milhões).

Já se perder, além de ver seu prêmio decrescer em € 3 milhões (R$ 10,92 milhões) — a diferença entre ser campeão ou vice —, e ficar sem a #UCL, o United entrará em 2017-18 com £ 22,5 milhões (R$ 94.95 milhões, sendo £ 1,00 = R$ 4,22) a menos em suas receitas. Por quê? Por causa de seu contrato com a adidas.

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Da mesma forma que estabelece bônus por objetivos alcançados, o acordo prevê ônus por metas não atingidas. E uma das cláusulas estipula que, caso os red devils fiquem fora da #UCL por duas temporadas seguidas, a adidas poderá reduzir em 30% seu investimento anual de £ 75 milhões (R$ 316,5 milhões).

duas razões para a marca adotar essa defesa. A primeira é financeira: assim como tem acontecido com o Milan, a venda de merchandising seria prejudicada pela contínua menor exposição internacional do United. Já a segunda é estratégica: ver o clube mais caro do seu portfólio mundial sem espaço na elite europeia jogaria para baixo a percepção que o grande público tem da adidas como marca vencedora.

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Na prática, porém, tudo isso se traduz em risco zero para a adidas. Primeiro porque, ainda que fique fora da UCL, o United participa de uma certa Premier League, transmitida para mais de 200 países e dona dos maiores contratos internacionais de mídia do futebol mundial; ou seja, a exposição que falta de um lado, sobre do outro. E, principalmente, reduzir o investimento anual nos red devils não reduz os ganhos da adidas com a parceria.

Vamos lembrar que a relação entre adidas e Manchester United não é propriamente de patrocínio, mas de licenciamento. A empresa paga £ 75 milhões por temporada pelo direito de produzir e vender materiais do clube. Isso significa que, caso os red devils não cheguem à UCL e essa “cláusula de defesa” seja acionada, a adidas pagará 30% a menos pelo direito de produzir e comercializar itens com o mesmo valor e potencial de vendas que têm hoje. O que, consequentemente, pode depreciar o valor de marca de United para outros licenciamentos.

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Nas contas do clube, o retorno à UCL — aliado a uma boa participação, naturalmente — poderá injetar de £ 40 milhões a £ 50 milhões nos cofres de Old Trafford. Se permanecer na UEL, essa previsão baixa para £ 15 milhões a £ 20 milhões, incluindo a cláusula de defesa da adidas. E se por um lado o Manchester United é hoje quem mais fatura no futebol mundial, por outro, isso não é garantia de lucro: o primeiro trimestre de 2017, por exemplo, ficou no vermelho, ainda que as receitas tenham aumentado.

Não há opção: para evoluir nas finanças, o Manchester United precisa estar na UCL. E precisa da adidas 100% em seu portfólio comercial. (Só resta saber se já combinaram com o Ajax, seu parceiro no portfólio das três listras.)

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Thiago Zanetin tem 31 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Europa.

Imagem: Divulgação.

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