EM NÚMEROS | Ficar fora da Copa do Nordeste é bom negócio para Sport e Náutico?

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Ontem (3), Sport e Náutico anunciaram suas saídas da Liga do Nordeste. O que, consequentemente, tira os dois arquirrivais da Copa do Nordeste a partir de 2018 — ou tira só o “leão”, já que o “timbú”, quarto colocado no Campeonato Pernambucano, não conseguiu sequer uma vaga para a fase preliminar, novidade do torneio na próxima temporada.

Os motivos são vários, mas que podem ser resumidos em apenas um: a cota de participação, quem vem da TV (Esporte Interativo) e, em 2017, foi de R$ 600 mil para os clubes de PE, AL, BA, CE, PB, RN e SE, e R$ 330 mil para os representantes de MA e PI. Rubro-negros e alvirrubros acreditam que, além dessa fatia ser baixa, essa divisão não espelha a projeção — em termos de mídia nacional, marketing, possibilidades comerciais etc. — que os grandes clubes da região somam à disputa. Ou seja: querem ganhar mais do que, por exemplo, clubes como Itabaiana-SE e Fluminense de Feira-BA, cujo alcance se resume às suas cidades ou, quando muito, aos seus estados.

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A primeira ideia de Sport e Náutico (aos quais, especula-se, pode se juntar também o Santa Cruz) é criar uma nova liga, mais enxuta, em que os grandes de Nordeste teriam vaga cativa e os demais participantes poderiam se classificar via campeonatos estaduais, sendo distribuídos em duas divisões. E não temos dúvida de que os grandes do Recife tenham força para mobilizar uma disputa como essa — talvez até abrindo para a participação de Remo e Paysandu, vindos da ainda não resolvida Copa Verde. Mas, como entusiastas da que somos da Copa do Nordeste, entendemos que seria trocar o certo pelo duvidoso.

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Enxergamos dois motivos. O primeiro: além de ter sua continuidade garantida, sob contrato, até 2022, a “Lampions League” reajusta suas cotas para cima gradativamente desde o relançamento de 2013. Em números gerais, evoluiu-se de R$ 5,6 milhões para R$ 18,52 milhões nesses quatro anos, com expectativa de chegar à casa dos R$ 23 milhões em 2018. É justo, portanto, pensar que essa política de valorização irá se manter.

E segundo motivo é que, em comparação com os estaduais, a Copa do Nordeste é mais rentável. Abaixo, traçamos os cenários: se o Sport ganhou menos com TV, ganhou mais em bilheteria, e ainda contou com a premiação técnica por ter chegado à final; e o Náutico, mesmo com uma campanha sofrível, ganhou, proporcionalmente, mais por jogo na “Lampions”. Confira, e logo retomamos.

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SPORT

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CAMPEONATO PERNAMBUCANO 2017:
— Cota de TV: R$ 1.125.685,00;
— Premiação por desempenho: NÃO HÁ;
— Bilheteria bruta: R$ 1.102.285,00 em 14 jogos;
VALOR MÉDIO POR JOGO: R$ 237.875,35;
TOTAL: R$ 3.330.255,00.

COPA DO NORDESTE 2017:
— Cota de TV: R$ 600.000,00;
— Premiação por desempenho: R$ 1.550.000,00 pelo vice-campeonato;
— Bilheteria bruta: R$ 1.756.205,00 (12 jogos);
VALOR MÉDIO POR JOGO: R$ 325.517,08;
TOTAL: R$ 3.906.205,00.

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NÁUTICO

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CAMPEONATO PERNAMBUCANO 2017:
— Cota de TV: R$ 1.125.685,00;
— Premiação por desempenho: NÃO HÁ;
— Bilheteria bruta: R$ 525.389,00 em 14 jogos;
VALOR MÉDIO POR JOGO: R$ 117.933,85;
TOTAL: R$ 1.651.074,00.

COPA DO NORDESTE 2017:
— Cota de TV: R$ 600.000,00;
— Premiação por desempenho: R$ 0,00 pela eliminação na fase de grupos;
— Bilheteria bruta: R$ 132.355,00 em 6 jogos;
VALOR MÉDIO POR JOGO: R$ 122.059,00;
TOTAL: R$ 732.355,00.

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Retomando. Não é errado que Sport e Náutico busquem ganhar mais. O problema é que, ao atacar o conceito de distribuição igualitária da Copa do Nordeste, os méritos são transferidos do campo — porque, para ganhar mais, basta fazer boas campanhas (como vinha comprovando o próprio Sport) — para o porte dos clubes. Isso acontece, por exemplo, no Brasileirão, em que os clubes do Nordeste sempre saem com fatias menores.

É preciso perceber que a “Lampions League” integra um sistema que: fomenta os estaduais — que é por onde os clubes se classificam; garante o trimestre, ou até o semestre, de muitas equipes da região — e a ideia original sempre foi fortalecer o futebol local; e oferece aos clubes de NE a possibilidade de ganhos crescentes e projeção no cenário nacional, dando ao seu campeão uma vaga nas oitavas de final da Copa Continental Pneus do Brasil — que terá a maior premiação da América Latina no quadrimestre 2018-22, com valor médio de R$ 2,5 milhões por partida.

Com ou sem Sport e Náutico, as características da Copa do Nordeste devem ser preservadas. E, para o bem de todos — do torneio, do futebol nordestino e deles próprios — seria melhor tê-los na continuidade desse projeto. Volta, “leão”. Volta, “timbú”.

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Thiago Zanetin tem 31 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Europa.

Com informações de: Vitor Sérgio (EI) + Blog do Cassio Zirpoli (Diário de Pernambuco). Imagens: Divulgação.

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Category: Marketing