Do CAP Play à TV do Manchester United: como vamos consumir futebol no futuro?

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O futuro das transmissões esportivas caminha para o streaming e o consumo on demand. Mas, por ora, o grosso do dinheiro está na boa e velha TV.

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Temos um exemplo em casa: a dupla Atlético Paranaense e Coritiba. Os arquirrivais decidiram não assinar a cota (realmente baixa) de direitos de transmissão da Globo para o Campeonato Paranaense, o que os levou a assumir conjuntamente a transmissão de três clássicos AtleTibas — um na fase inicial e dois nas finais — em seus canais de YouTube e páginas de Facebook. Foi um sucesso de engajamento e comercial. Mas os arquirrivais poderiam assumir o risco de fazer o mesmo para o Brasileirão, em que os mais de R$ 50 milhões que cada clube recebe representam as maiores fatias de seus faturamentos (28% para os rubro-negros e 39% para os alviverdes, em números de 2016)?

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O Atlético Paranaense, faça-se justiça, está tentando. Em abril, o “furacão” anunciou a criação da CAP Play, que, grosso modo, será a sua versão da Benfica TV. Muito mais limitada, porém, já que, à parte conteúdos de bastidores, pré-jogos e pós-partidas, o clube tem contrato em TV aberta até 2018 (Organizações Globo) e seu novo termo de TV fechada (Turner Esporte Interativo) vai até 2024. Ou seja, poderá apenas mostrar as partidas do campeonato, em tese, de menor relevância.

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Vamos, então, buscar um exemplo fora. Um grande exemplo, aliás: como o Manchester United, atualmente o clube de maior faturamento do futebol mundial, encara essa disputa TV x streaming e on demand?

Começamos pelos números: dos £ 395,2 milhões faturados pelo Manchester United em 2015-16, “apenas” £ 140,4 milhões, ou 27%, vieram de broadcasting. Destes, £ 10,9 milhões vieram de conteúdo mobile através da sua Manchester United TV-MUTV, que, em janeiro deste ano, tornou-se, logicamente, também um aplicativo móvel por assinatura, para 156 países.

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O único grande mercado de interesse do United em que o app da MUTV ainda não chegou foi o local — o Reino Unido. Por quê? Por causa dos acordos domésticos de TV com Sky e BT Sports para o triênio 2016-19, que consolidam o maior acordo de broadcasting do futebol mundial, ativado nesta temporada. A diferença é grande: se em 2015-16 o United terminou a Premier League na 5ª colocação e recebeu pouco mais de £ 96,4 milhões (incluindo a fatia internacional e o pool de patrocínios), em 2016-17, com uma campanha pior (6ª posição), os red devils abocanharam £ 143,6 milhões. Ou seja, mais do que um-terço do faturamento total de 2015-16.

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Qual o cenário para mobile e on demand num cenário como esse? Imediatamente, é pequeno — se comparado aos direitos de transmissão tradicionais. Mas a mudança já está acontecendo. O primeiro passo foi a revolução digital da J. League, que pretende sair completamente das TV convencionais. O segundo veio a English Football League-EFL, que lançou a sua própria plataforma digital de transmissão, a iFollow. E em 2019, a Premier League ativará o maior contrato internacional de sua história, para a China, com transmissão e armazenamento 100% via streaming. Até lá, a base de quase 660 milhões de fãs digitais do Manchester United terá aumentado muito. A comercialização de conteúdo da MUTV também. Por que não entrar de vez nesse mercado?

Esse é o plano. Pensando em médio-longo prazo, o Manchester United planeja converter a MUTV em um aplicativo OTT (Over The Top, ou seja, transmissor de conteúdo sem intermediário) por assinatura — como o Netflix —, para transmitir inclusive os seus jogos. Exato: os red devils serão seus próprios parceiros de mídia, prontos para pegar sua parte em um mercado global que deve atingir US$ 42 bilhões até o final de 2019.

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Quando isso vai acontecer? Antes do que imaginamos. Não há uma data precisa. A própria evolução do mercado pode ditar um ritmo mais acelerado do que o previsto. Pensar nisso, porém, é tarefa desde já: nossos clubes vão ser companheiros ou seguidores do Manchester United? Quando o nosso futebol vai viver menos de pura imagem e mais de imagem com mensagem? O CAP Play do Atlético Paranaense é um primeiro passo. Precisamos de mais.

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Thiago Zanetin tem 31 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Europa.

Imagens: Divulgação.

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