Borussia Dortmund: onde futebol e política jogam juntos

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Foi imediato: ontem (24), logo após o anúncio de que partido populista, de extrema direita, Alternative für Deutschland-AfD conquistou o terceiro lugar geral nas eleições para o Parlamento Alemão, com 87 cadeiras e 13,2% dos votos, o Borussia Dortmund ressuscitou em suas redes sociais o filme da campanha “Gemeinsam gegen rassismus” (“Juntos Contra o Racismo”), de 2014, que acaba com a mensagem “Fußball und nazis passen einfach nicht zusammen” (“Futebol e nazistas não se misturam”, em tradução livre).

Atitude tomada no calor do momento? Mero oportunismo panfletário? Nem uma coisa, nem outra. A política está no DNA do BVB — e de Dortmund — desde sempre. E vem tendo grande destaque na comunicação do clube nos últimos tempos. Mais abaixo, temos três exemplos.

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RACISMO A SECO

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Em 2015, o BVB distribuiu mais de um milhão de adesivos e bolachas de chopp pelos bares de Dortmund e todo o Vale do Ruhr com o lema “Kein bier für rassisten” (“Sem cerveja para racistas”), numa ação contra as brigadas extremistas da região.

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REFÚGIO AURINEGRO

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Em 2015, no auge da crise mundial dos refugiados, a torcida do BVB foi uma das mais profícuas na campanha de solidariedade lançada pela Bundesliga. Com apoio do clube, os fanáticos da Muralha Amarela organizaram coletas de comida e dinheiro, mobilizaram-se por vagas em abrigos e, claro, distribuíram ingressos para jogos no Signal Iduna Park.

Dois anos depois, quando o elenco borussin sofreu um ataque terrorista, em Dortmund, horas antes de uma partida contra o Monaco, pela UEFA Champions League, muitos recriminaram o clube e seus torcedores por essa ação. Mas, debalde: o BVB e a torcida ainda mantém sua convicção pró-refugiados e imigrantes.

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O ÚNICO MURO POSSÍVEL

Entre outras ideias, o republicano Donald Trump chegou à presidência dos EUA sustentado pela ideia de erguer um muro na divisa com o México, para barrar o fluxo de imigração ilegal. Do outro lado do mundo — num país que com passado “murado” —, o BVB exaltou o “único muro em que acredita”: a Muralha Amarela do Signal Iduna Park.

Como no caso dos refugiados, essa posição do clube também foi muito lembrada na época do atentado sofrido pelo elenco aurinegro. Novamente sem efeito.

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Além desses exemplos, muitas outras campanhas e ações — como esta que vemos acima, contra a homofobia — têm espaço regularmente no estádio Signal Iduna Park. E o BVB também é adepto da política boleira, defendendo a manutenção do 50+1 na Bundesliga e criticando o caráter não-popular de clubes como o RB Leipzig.

O que você acha dessa atuação (ou vocação) política do Borussia Dortmund? Isso caberia, abertamente, em algum clube brasileiro — e no seu, em particular? Deixe sua opinião nos comentários.

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Thiago Zanetin tem 31 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Europa.

Imagens: Divulgação.

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