Aubameyang e o paradoxo da guerra de marcas esportivas criado pela PUMA

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Aconteceu no último final de semana. Após marcar seu gol no rieverderby — contra o Schalke 04, em plena Veltins-Arena de Gelsernkirchen —, o artilheiro Pierre-Emerik Aubameyang, do Borussia Dortmund, partiu para a comemoração com uma máscara da campanha “The Masked Finisher” (“O Matador Mascarado”, em tradução livre), ativando seu par de chuteiras Hypervenom 3, da Nike — marca da qual é atleta patrocinado. Seria uma ação perfeita se, naquele momento, o gabonês não estivesse vestindo um uniforme da PUMA, que, além de fornecedora esportiva, é acionista do clube. Resultado: a marca alemã exigiu e o atleta foi multado pelo BVB.

Imprudência — ou por outra: imperícia — de Aubameyang? Ou uma senhora ação de guerrilha da Nike, que se aproveitou do fato de o jogador ser famoso por suas comemorações com máscaras de super-heróis (já foi Super-Homem e Batman, por exemplo) para gerar mídia “de carona” na popularidade global da Bundesliga — onde, aliás, é a maior fornecedora? Bem, pode ser tanto uma coisa quanto outra, mas, antes de tudo, a disputa entre marcas de clubes e atletas é uma polêmica antiga. E que começou com a própria PUMA. Abaixo, separamos os dois exemplos mais famosos; vamos conferir e retomamos em seguida.

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1. O Pacto-Pelé

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Voltamos a 1970. As marcas esportivas começavam a aparecer nas camisas, mas atletas patrocinados já eram realidade. O mais ambicionado, claro, era Pelé, quem tinha PUMA e adidas em seus calcanhares para a Copa do Mundo FIFA, no México. Quem calçaria o Rei? Para evitar um leilão que inflacionaria o mercado, as duas empresas decidiram adiar a decisão para depois do Mundial — o famoso “Pacto Pelé”.

A PUMA, porém, quebrou o acordo. E, além de contratar Pelé, combinou que, antes do pontapé inicial da estreia do Brasil na Copa, frente à então Tchecoslováquia, o Rei se ajoelharia para amarrar as chuteiras, ganhando o foco das câmeras para o mundo inteiro. Guerrilha puríssima.

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2. As duas listras

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Quatro anos mais tarde, em 1974, o artífice da polêmica foi Johan Cruyff. Atleta da PUMA, ele se recusou a vestir adidas para defender a Holanda na Copa do Mundo FIFA, realizada na então Alemanha Ocidental. E já que o logo das três listras não aparecia no peito do manto da “Laranja Mecânica”, a solução foi retirar uma delas dos ombros e mangas da camisa do craque. Ou seja: o atleta de maior projeção daquele Mundial apresentou a concorrente de sua patrocinadora desconfigurada às lentes globais.

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92'min ça va à 8000 Woulala #aubameyang #bvb #mask #philippplein #17 #flash #goodjob #mybroisthebest

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Retomando. Não queremos dizer aqui que a PUMA não tem direito de reclamar no caso de Aubameyang. Claro que tem. O contrato de fornecimento do Borussia Dortmund é alto e investimento em seu quadro acionário, altíssimo. É justo que a marca não queira dividir sua exposição. Estamos, porém, em um ambiente de competitividade. Os movimentos dos concorrentes não devem ser esperados, mas previstos e combatidos na raiz — aquilo que a própria PUMA faz tão bem, por exemplo, ao anunciar seu desembarque em Marselha.

Com ou sem intenção de Aubameyang, o fato é que este foi o segundo chapéu global que a PUMA levou da Nike em pouco tempo — o último, você se lembra, foi na Copa América 2015. Hora de rever a estratégia, não?

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Thiago Zanetin tem 31 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Serie A e na Europa.

Imagens: Divulgação.

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Category: Marketing