A carta de um milanista que queria aplaudir Totti, em campo, no San Siro

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Um ídolo é aquele cara em que todos se vêem. Que todos querem ser. Que joga torcendo e torce jogando. Que é respeitado independentemente da camisa que defenda. E no ultimo domingo (7), descobrimos que Francesco Totti é um ídolo também para a torcida do Milan.

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Na tarde daquele dia, a Roma foi a San Siro, onde venceu por 3×1. Lá, Totti (que vive sua última temporada em giallorosso e na carreira) ouviu o uníssono de aplausos quando seu nome apareceu no telão e viu a Curva sud, coração da torcida milanista, expor uma faixa onde se lia “A Curva Sud rende homenagem ao rival Francesco Totti”. Mas, infelizmente, ouviu e viu tudo do banco. Totti não entrou na partida — nem nos minutos finais, quando o placar já estava definido.

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Foi, provavelmente, mais um capítulo da rusga entre o camisa 10 e o técnico romanista, Luciano Spaletti — que, frise-se, já foi campeão pela Roma com Totti há alguns anos. Desde então, não se fala em outra coisa na Itália: imprensa, ex-jogadores e velhos treinadores de Francesco atacam a suposta “falta se sensibilidade” de Spaletti a todo momento. E claro, os torcedores não o perdoam. Os da Roma e de praticamente todos os outros times. Inclusive a do Milan.

Abaixo, você lerá a carta aberta de um torcedor milanista a Luciano Spaletti, publicada no dia seguinte à partida pela página boleira italiana de Facebook “Che Fatica la Vita del Bomber”. Achamos que nenhuma outra opinião resume tão bem a força de um ídolo. Totti, realmente, já está fazendo falta.


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Caro Luciano,

Trato você pessoalmente, ainda que não nos conheçamos.
Ensinaram-me que, entre homens, é assim que se faz.

Escrevo a você porque, sabe, eu fiquei mal.
Aliás, para ser franco, você me deixou emputecido.

Tenho 37 anos e, quando era menino, sonhava em ser jogador de futebol.
Como Baggio, como Battistuta, como Del Piero. Como Totti.

Não sou romano, não sou romanista, mas amo o futebol,
e sigo sendo um romântico; se não o fosse, teria virado torcedor de xadrez.

Aprendi com a vida que é importante ter empatia — porque te simplifica o cotidiano
e faz viver melhor. E te faz amar. Baggio, Battistuta e Del Piero já pararam de jogar.
Totti, ainda não. Fará isso daqui a alguns dias, e eu me sentirei um pouco mais velho.

Ontem [7 de maio, domingo] eu estava no San Siro
para dar um último adeus a Totti. Para poder dizer ao meu filho:
‘Sabe, aquele é Totti. Eu lhe via jogar quando tinha a sua idade. E hoje, você também lhe vê’.
Vocês
[a Roma] estavam vencendo por 3×1, faltavam uns seis ou cinco minutos
para o fim do jogo e estávamos todos prontos para dedicar um aplauso a Totti.
Sabe, não seria só um aplauso em si mesmo, mas um modo de três gerações
dizerem um ‘Obrigado!” a ele. Um obrigado por tudo que nos deu,
pelas emoções de todos esses anos.

Já sei que você ‘deve gerir um grupo’, que ‘a Roma não é só Totti’
e blá-blá-blá. O que eu não entendo, sendo você o treinador de uma equipe tão importante
como é a ‘giallorossa’, é essa total falta de empatia.
Não só com Francesco, mas com o público. Aquela gente comum, como eu,
que queria fazer uma saudação a Totti.

Você, Luciano, perdeu uma grande ocasião.
E a tirou de mim, do meu filho, do meu pai e de Francesco.

Vá para o inferno, Luciano.

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Thiago Zanetin tem 31 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Serie A e na Europa.

Imagem: Divulgação.

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