#Rio2016 | Por que você não encontra a camisa da Marta nas lojas?

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Marta é o nome mais comentado desses primeiros dias de Jogos Olímpicos Rio 2016. Não é para menos: nossa Rainha, cinco vezes Bola de Ouro da FIFA e maior artilheira canarinha de todos os tempos (com mais gols até do que Pelé) é o cérebro de um Brasil que vence e dá espetáculo. Tanto é assim que seu nome é cantado pelas arquibancadas inclusive nos jogos da Seleção masculina, que a vêem como “melhor do que Neymar”.

Marta é, hoje, e como sempre deveria ter sido, uma marca popular. Mesmo assim, não espere encontrar a camisa 10 com o nome dela à venda nas lojas. De acordo com uma reportagem de ontem (8) d’O Globo (leia aqui), o produto não existe sequer no mercado “alternativo” – leia-se: pirata. Os torcedores, então, dão o seu jeito: compram camisas “não-originais” – releia-se: piratas – de Neymar Jr., riscam o nome do craque e escrevem o de Marta; ou então, compram o manto liso e grafam o nome da nossa Rainha em seriegráficas locais.

Na falta de camisas oficiais, a torcida improvisa.
Na falta de camisas oficiais, a torcida improvisa.

Só nisso, já percebemos o quanto a Nike está perdendo em vendas. Falta de visão? Não exatamente. A marca está num dilema, causado justamente pela comparação entre Marta e Neymar Jr, e seu consequente “efeito substituição”. Explicamos: Neymar é embaixador global da marca, e Marta é atleta da concorrente PUMA. Colocar uma camisa de Marta à venda hoje é vampirizar as receitas e a visibilidade que a swoosh espera obter com Neymar e, de quebra, reforçar a imagem da craque para que a PUMA possa trabalhá-la – sobretudo no mercado europeu, onde o futebol feminino é forte. Seria um suicídio mercadológico, também porque a principal embaixadora feminina da marca, a americana Carla Lloyd, ainda tem o mercado restrito à sua terra natal.

Marta é um dos nomes principais da PUMA para a chuteira evoSPEED. Note que, nessa campanha, ela usa uma camisa sem Nike.
Marta é um dos nomes principais da PUMA para a chuteira evoSPEED.
Note que, nessa campanha, ela usa uma camisa sem Nike.

A solução, como sempre, está com o torcedor: exigir cada vez mais a personalização de camisas amarelinhas com o nome e o número de Marta, tanto no site da Nike quanto em suas lojas – já que, segundo declaração da própria marca a’OGlobo, esse é um serviço prestado diretamente pelos lojistas, que têm a prerrogativa de exibirem modelos customizados que atendam à sua demana. É hora, então, de gerar demanda até que a oferta responda. Primeiro com Marta, depois com Cristiane, Beatriz, Formiga, Andressa Alvez, Debinha, Poliana – enfim, com todas as nossas craques. É hora de vestirmos a camisa do futebol feminino. Não deixemos essa oportunidade passar.

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Thiago Zanetin tem 30 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Serie A e na Europa.

Imagens: Divulgação.

Category: CamisasMarketing