Por que a USL já tomou o lugar da NASL como Segundona dos EUA

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Ser o melhor campeonato de Segunda Divisão do mundo — o que implicaria em superar realidades como a rica Sky Bet EFL Championship inglesa e a popularíssima 2. Bundesliga alemã. Esse é o (nada modesto, convenhamos) objetivo da United Soccer League-USL, atualmente considerada a “Série C” dos EUA. Objetivo, porém, que já contagia alguns clubes da “Série B” North American Soccer League-NASL. Ou melhor, ex-clubes.

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Nos últimos dias, Tampa Bay Rowdies e os canadenses do Ottawa Fury anunciaram que estão de mudança para a USL. Abandonam, assim uma liga problemática — de baixo público e interesse, e que, desconsideradas as migrações, já perdeu três franquias por problemas financeiros (Atlanta Silverbacks, Puerto Rico Islanders e San Antonio Scorpions), precisou intervir no Fort Lauderdale Stikers e deve “implodir” o insustentável Rayo OKC em breve — e chegam a um campeonato que, em contato direto com a Major League Soccer-MLS, não para de crescer:

– entre 2014 e 2016, a USL saltou de 14 para 29 times, agregando várias equipes de desenvolvimento da MLS;

– em 2017, a USL suprirá as perdas de franquias que teve nas últimas três temporadas (saíram Dayton Dutvh Lions, Austin Aztex e Wilmington Hammerheads FC, e entrarão Tampa Bay, Ottawa e FC Reno);

– a audiência global da USL nas arquibancadas aumentou 33%, o que abrange mais de 1,5 milhão de espectadores;

– em 2016, três das cinco maiores médias de público de fora da MLS foram da USL — FC Cincinnati (17,296, 1º), Sacramento Republic (11.514, 2º) e Louisville City (7.218, 5º);

– a USL abriga o único modelo de administração com participação popular do futebol yankee, o Seattle Sounders 2 (relembre);

– de 2012 para cá, o valor de franqueamento saltou de U$ 500 mil para cerca de US$ 4 milhões;

– a USL pleiteia a criação de uma “USL 2″ — que seria a sua própria liga de desenvolvimento ou introduziria um sistema de promoção/rebaixamento fechado.

Comparada ao imobilismo da NASL — que, com a entrada do SF Deltas, deve se arrastar em 2017 com dez clubes e criando “challenge cups” paralelas –, a USL parece ser de outro planeta. Comenta-se que outro canadense, o FC Edmonton, deve ser o próximo a se mudar para a, por ora Terceirona. É um movimento lógico, que, entendemos nós, poderia abranger sucessos como NY Cosmos (marca forte) e Indy Eleven (público fiel) — caso seus ainda embrionários planos de chegar à MLS se frustrem. De fato, a USL já é o second level dos EUA. Só falta o reconhecimento institucional.

Thiago Zanetin tem 31 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Serie A e na Europa.

Imagens: Divulgação.

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