O incrível papel do Orlando City em prol da comunidade

“Nossa cidade tem sofrido momentos sombrios, atos horríveis de violência, e estamos ansiosos para usar a influência dos nossos times para trazer alguma positividade na vida das pessoas.” (Phil Rawlings, fundador e presidente do Orlando City Soccer Club)

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Nos últimos anos, o governo norte-americano destinou milhões de dólares para programas de combate ao que considera “extremismo”, com o objetivo de identificar indivíduos propensos a cometer crimes violentos e de ódio – e, claro, impedi-los. Um dos motivos principais é o aumento significativo, e progressivo, dos casos de intolerância (não só nos EUA, mas em vários outros países).

Orlando é mundialmente conhecida como a cidade da fantasia, onde pessoas de todas as nacionalidades buscam o clima mágico da Disney, do Universal Studios e de outras tantas atrações. Tolerância e inclusão são valores intrínsecos deste lugar. Mesmo antes de estrear na Major League Soccer-MLS, em 2015, o Orlando City já contava com o carinho da cidade. E, de lá para cá, esse feeling só cresceu. O povo de Orlando realmente abraçou a franquia. Com uma das melhores taxas de ocupação nos estádios e notória visibilidade, os lions já possuem uma importante influência na comunidade local.

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Após o atentado na boate-LGBT Pulse, na madrugada de 11 de junho, o OCSC se movimentou com grandes iniciativas e discurso anti-ódio. Rapidamente as campanhas ganharam força dentro e fora do país, mas principalmente engajando grande parte da cidade de Orlando, em um dos momentos mais difíceis de sua história.

A primeira grande movimentação foi homenagear as vítimas do ataque, na partida conta o San Jose Earthquakes, criando uma experiência de match day emocionante e inesquecível, com todo o apoio da torcida. As arquibancadas estavam preenchidas por bandeiras com as cores do arco-íris, os times entraram em campo ao som de “All You Need Is Love” (The Beatles), e o hino foi cantado em capela por todos no estádio, incluindo oficiais da polícia de Orlando e representantes da comunidade LGBT, que estavam em campo com os atletas. E no 49º minuto de jogo ocorreu o momento mais emblemático: a partida foi paralisada e todos ficaram em silencio, em homenagem às 49 vítimas da Pulse.

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Além das homenagens no jogo, camisas foram colocadas à venda com a hashtag #OrlandoUnited – um movimento criado em parceria com as franquias dos outros esportes (NBA, ECHL e AFL). Os torcedores também puderam adquirir pôsteres especiais do match day e participar de um leilão com camisas usadas pelos jogadores. Todo o lucro foi destinado para a fundação OneOrlando.

Mas o Orlando City não se limitou a fazer ações na partida, somente no momento em que o assunto estava na capa de todos os jornais. O clube doou mais 100 mil dólares para a fundação OneOrlando e continuou promovendo a tolerância em todos os âmbitos. Com uma base de mais de 550 mil fãs na página oficial do Facebook (Esse número sobe para mais de 1 milhão se somarmos os do perfil oficial brasileiro), o clube faz uma comunicação contínua sobre a necessidade de se ter uma comunidade unida e forte.

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A campanha mais recente de Orlando é a #KeedpDancingOrlando – ainda sobre o crime de ódio ocorrido na boate Pulse, fazendo referência ao fato de que as pessoas foram assassinadas enquanto se divertiam, dançando. Imediatamente, o Orlando City se engajou para promover mais essa iniciativa. Com um vídeo gravado na sede, envolvendo os colaboradores do clube, os lions conseguiram mostrar toda a estrutura por trás do seu sucesso, chamar atenção para a causa e em menos de 24 horas, já ter impactado mais de 220 mil pessoas.



O OCSC também  possui uma organização sem fins lucrativos, a Orlando City Foundation, que, através de futebol e orientação nutricional, visa promover um estilo de vida mais saudável, para crianças e famílias, desenvolvendo programas estratégicos para a comunidade nas áreas mais carentes.

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Aqui no Brasil, mesmo com toda a cultura e paixão pelo futebol, ainda é difícil vermos clubes se movimentando em prol da comunidade com tanto empenho. O mais comum, o nosso padrão, são ações cedendo jogadores para visitarem instituições. É pouco. O Orlando City é um excelente benchmarking. Go Lions!

Raphael Lavor é publicitário, fanático por futebol, colecionador de artigos futebolísticos e trabalha na Klefer Marketing Esportivo.

Category: Marketing