Ibra vende milhares de camisas pelo United. Mas os milhões são bem mais da adidas

Foi a grande notícia da última semana: de acordo com o tabloide inglês The Sun, o Manchester United teria vendido, em apenas sete dias, cerca de 800 mil camisas com o come de Zlatan Ibrahimovic. E como o modelo, assinado pela adidas, tem preços de £ 90,00 (mangas curtas) e £ 100,00 (compridas), o faturamento total giraria, consequentemente, em torno de £ 72 milhões (R$ 309,6 milhões, sendo £ 1,00 = R$ 4,30) e £ 80 milhões (R$ 344 milhões).

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Cifras grandes, que dão margem a simulações. Um exemplo? Com essas vendas, Ibra já teria pago o seu salário anual (em torno de R$ 41 milhões) e, sob a mesma base, “garantido” outros seis contratos e meio em Old Trafford. Mais um? Só com Zlatan, o United já teria faturado na temporada mais do que com a adidas. Outro, ainda? Esse dinheiro cobriria a não participação dos red devils na UEFA Champions League. Só mais um? Com o resultado das camisas, o Manchester pagaria 80% dos € 113 milhões investidos na contratação do francês Paul Pogba, junto à Juventus. Tudo teoria, porém; porque essa soma, ao menos por enquanto, nem chega perto de estar nos cofres do clube.

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Explicando. Pelo contrato de fornecimento, a adidas paga (£ 75 milhões por temporada) pelo direito de produzir e vender os materiais do Manchester United. Isso significa que o clube não recebe royalties sobre as vendas de cada peça, mas, sim, uma porcentagem de, especula-se, 15% a 20% sobre o excedente das vendas a partir de um determinado valor. Quanto? Cláusula sigilosa. Mas, para que entendamos, cabe aqui outra simulação:

– imaginemos que a meta é de £ 75 milhões (mesmo valor pago pela adidas a cada temporada);

– se consideremos que o Manchester United faturou £ 80 milhões com as vendas da camisa de Ibrahimovic, o excedente seria de £ 5 milhões (ou seja, 80-75);

– tendo como base os royalties de 15% a 20%, o clube ficaria com € 750 mil a € 1 milhão.

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“Então a parceria com a adidas é desvantajosa?” Não. Note que o United cede o direito de produção e venda, mas não os direitos sobre sua marca. Ou seja, ao mesmo tempo em que a gigante alemã amplia sua gama de produtos em Old Trafford, faturando e fazendo o clube faturar, os red devils também têm liberdade para estabelecer novos acordos — como, por exemplo, com a produtora de equipamentos outdoor Columbia Sportswear. É essa flexibilidade que torna os ganhos com merchandising e licenciamento os segundos maiores no mix comercial do Manchester, perdendo apenas para os patrocínios.

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Mas, mesmo se pensarmos apenas nas jerseys (camisas de jogo, kit e réplica), as perspectivas do Manchester United são excelentes. Afinal, tendo como base o levantamento da Euroamericas, o clube, só com Ibra, já teria vendido quase 27% dos 2.977.000 mantos da última temporada. Se chegar ao mesmo número, considerando o valor de £ 90,00 por peça, o clube consolidará £ 267,93 milhões, com um excedente (sobre £ 75 milhões) de £ 192,93 milhões, podendo faturar em torno de £ 28,9 milhões (royalties de 15%) e £ 38,5 milhões (20%). Cifras excelentes — embora bem menores do que à primeira vista.

Thiago Zanetin tem 30 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Serie A e na Europa.

Imagens: Divulgação.

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