Fortaleza deixou a Kappa. E agora: nova parceria ou marca própria?

fortaleza 001

Por contrato, Fortaleza e Kappa deveriam trabalhar juntos até 2018. Na prática, porém, a parceria acabou na última semana, quando o clube anunciou um novo patrocinador de camisa e foi a campo vestindo um manto-tampão (esse, que você vê acima), sem logo de qualquer fornecedora esportiva. Os motivos? Os mesmos que você já conheceu nos distratos que a marca italiana – representada no Brasil pela SPR Sports – já enfrentou neste ano junto a Goiás, Brasil de Pelotas, Criciúma, Juventude, Portuguesa e América de Natal: baixa qualidade dos materiais, problemas de distribuição, atraso no repasse de roaylties e peças, etc.

Agora, o Fortaleza tem duas possibilidades. A primeira, mais óbvia, é fechar com uma nova fornecedora esportiva. Penalty, Dry Word (que também enfrenta problemas de logística e produção) e adidas são os primeiros nomes especulados. Fala-se também na Topper – que nos parece uma hipótese irreal, por já contar com o Ceará, arquirrival tricolor, em seu portfólio. A julgar pelos últimos contratos dessas empresas, o “leão” teria a garantia de receber fee com Penalty e Dry World; com a adidas, o clube não teria verba de patrocínio, mas receberia mais peças e porcentagens maiores sobre as vendas (algo próximo do que é feito, por exemplo, com o Newell’s Old Boys, na Argentina).

Já a segunda possibilidade do Fortaleza é seguir o caminho de Paysandu e Juventude, apostando numa marca própria esportiva. Nesse cenário, o clube se aliaria a uma empresa produtora – provavelmente a sua conterrânea Bomache, atual responsável pelas coleções casuais tricolores –, seria o responsável pela distribuição dos materiais e receberia 100% das vendas. Esse modelo parece estar “semipronto”, uma vez que, em sua última renegociação com a Kappa, o Fortaleza assumiu a gestão da loja-conceito Leão do Pici Store e assumiu o repasse de produtos para o varejo. Sem intermediários e trabalhando localmente, o clube diminuiria o preço final por peça, e ganharia também na quantidade.

fortaleza 002_ALT

Qual dessas possibilidades é melhor? As duas têm vantagens e riscos. A resposta para o sucesso está na torcida. E as perguntas estão com o Fortaleza. Afinal, o que o torcedor deseja? Qual o mínimo que pode pagar? E o máximo? Vale a pena segmentar linhas de produtos por preço? Em que épocas está mais propenso a comprar? Compra mais em lojas físicas ou via e-commerce? Compra mais para si mesmo ou para presentear outras pessoas? Compraria produtos que cobrem o calendário promocional – Dia das Crianças, Natal, etc.? É isso – e muito mais – que deve ser compreendido. Se a iniciativa cobrir os torcedores, automaticamente cobrirá o clube. Estamos de olho.

Thiago Zanetin tem 30 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Serie A e na Europa.

Imagens: Divulgação.

Category: MarketingMercadoNegócios