“Estrela Sem Nome”: como a política apagou o Steaua București da Romênia

A estrela do Leste: em 1986, o Steaua București trouxe a Champions para a Romênia.
A estrela do Leste: em 1986, o Steaua București trouxe a Champions para a Romênia.

Há 30 anos, o Steaua București, maior campeão do futebol da Romênia, surpreendeu a Europa ao conquistar a então UEFA Champions Cup (atual Champions League), sobre o Barcelona, em pleno Camp Nou. E desde a última semana, o clube não existe mais. Pelo menos, não como o conhecemos. Após um processo de anos, o agora ex-Steaua foi impedido pelo Ministério de Defesa romeno de utilizar seu nome, cores e símbolos, e, ainda que seja possível um apelo, corre seríssimo risco de ser desfiliado da Federação Romena ainda em 2016-17.

Em 2013-14, o Steaua București traria nome no brasão pela última vez.
Em 2013-14, o Steaua București traria nome no brasão pela última vez.

Vamos explicar o imbróglio. O Steaua București foi fundado em 1947 — nos primórdios do regime socialista pós-II Guerra Mundial —, por iniciativa de oficiais do exército romeno, do qual se separou esportivamente em 1998. Por essa época, George “Gigi” Becali, controverso e corrupto político do país, entrou no quadro de acionistas do clube, do qual se tornaria majoritário em 2003. Dois anos mais tarde, o proprietário usou a sociedade gestora dos roș-albaștrii (a holding AFC Steaua) para driblar uma condenação por evasão fiscal. E, não sabemos se por retaliação ou justiça (ou por ambos), o Ministério da Defesa romeno, ainda dono da marca Steaua București, processou a holding AFC Steaua București, de Becali, por apropriação indébta.

De "Steaua București" a "SBFC". O clube se partiu em dois.
De “Steaua București” a “SBFC”. O clube se partiu em dois.

E, finalmente voltando para 2016, o Ministério da Defesa romeno obteve uma nova vitória, e já anunciou a (re)criação da “verdadeira Steaua București”. Além de ter sido penalizada em € 37 milhões de euros, a propriedade da “SBFC” deverá restituir ao novo (ou velho?) clube seus troféus, inclusive os conquistados após 1998. Ao todo, são 58 títulos, que a Steaua do Ministério da Defesa poderá ostentar nos campos da Quarta Divisão romena, onde começará — ou continuará — a construir sua história.

Para quem torcer?
Para quem torcer?

Se isso tudo é certo ou jogo de cena, ainda estamos por saber. “Mas e a torcida nisso tudo?”, você se pergunta. Dividida. Muitos — saudosistas da Cortina de Ferro? — estariam dispostos a apoiar o clube da Quarta Divisão; outros tantos continuariam com a “SBFC”. E, no fim de tudo, somos obrigados a dar razão a um programa musical muito popular nas rádios da Romênia dos tempos da ditadura de Nicolaei Ceausescu: “Estrela (Steaua) Sem Nome”. A seu modo, um visionário.

Thiago Zanetin tem 31 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Serie A e na Europa.

Imagens: Divulgação

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