#EstamosConChapecoense | Sobre o grande coração do Atlético Nacional de Medellín

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Hoje (30) seria dia de festa em Medellín. Já estava tudo pronto para que a torcida do Atletico Nacional – atual dona da Copa Bridegestone Libertadores – tomasse o Estádio Atanasio Girardot para começar a decidir la otra mitad de la gloria continental: a Copa Sul-Americana. Falta, porém, o adversário. A nossa Chapecoense, que conquistou o passaporte no campo, infelizmente, não chegou até lá de fato. Foi impedida por um acidente aéreo fatal, que dizimou seu elenco e sua comissão técnica – enfim, o seu sonho. O que fazer quando a morte interrompe o futebol? O próprio clube verdolaga responde: mostrar que o futebol pode ser maior do que a vida.

Dentre as inúmeras homenagens mundiais à Chapecoense, poucas nos tocaram tanto quanto as feitas pelo Atlético Nacional. A primeira, talvez a maior, foi o pedido formal para que à CONMEBOL para que a Chape seja homologada campeã oficial da Sul-Americana. E não é mera formalidade. Porque, se for aceito, os catarinenses terão acesso a um bom dinheiro para sua reconstrução:

— US$ 2 milhões pela conquista (fora o US$ 1,675 milhão já garantido pela campanha); e

— premiação mínima de US$ 2,71 milhões (em valores de 2016) somando as participações nas edições 2017 da Copa Bridgestone Libertadores, Recopa, Copa Suruga Bank e Supercopa Euroamericana.

Ou seja, só com esse gesto de grandeza, o Atlético Nacional entregaria à Chapecoense US$ 4,71 milhões (ou mais de R$ 9,3 milhões, sendo US$ 1,00 = R$ 3,45). Integrado às medidas solidárias propostas pelos clubes da nossa Série A e à competência administrativa que a Chapecoense demonstra, esse recurso será fundamental para acelerar a reestruturação do clube.

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A cessão do título, porém, foi apenas o início. Durante todo o dia, o Atlético Nacional se colocou completamente à disposição da Chapecoense. Além de inúmeras homenagens, feitas em espanhol e português, nas suas redes sociais, o clube abriu uma linha de apoio aos familiares de vítimas da tragédia – não só o elenco e comissão técnica da Chape, mas também jornalistas de diversos veículos e tripulantes do avião.

Mais tarde, o Atlético Nacional prestaria um tributo definitivo à Chapecoense: o filme #LeyendasProSiempre (“Lendas Para Sempre”). Nele, o verdolaga resume em um minuto – exatamente o minuto de silêncio em homenagem à tragédia – o porquê da comoção pela Chape: estamos falando de um representante do futebol popular, que ousou desafiar e sonhar entre os grandes do continente por um sonho, e que, por isso, não será esquecido.

Na alta madrugada colombiana, foi a vez dos torcedores. Não só os do Atlético Nacional, mas também de seus rivais – do Independiente de Medellín, do Millonarios, do Santa Fé e outros. Em vigília no Parque de la 93, em Bogotá, eles criaram diversos cantos em homenagem à Chape. O mais forte deles (esse, que você confere acima), não deixa dúvidas: “Que escutem em todo o continente: nunca esqueceremos a campeã Chapecoense”.

O último grande ato, por fim, acontecerá logo mais, na cada do Atlético Nacional. No mesmo horário marcado para o jogo, milhares de pessoas vestidas de branco velarão o espírito da Chapecoense – que é imortal e, temos certeza, em breve voltará a nos brindar com sonhos tão grandes como o coração verdolaga. “Vamo, vamo, Chapê”.

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Thiago Zanetin tem 31 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Serie A e na Europa.

Imagens: Divulgação.

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