#Brexit | Por que o Reino Unido fora da UE pode afetar a Premier League

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Leave. O Reino Unido está fora da União Europeia. A decisão foi tomada via referendo popular. E, além das esperadas reações de mercado internacional – bolsas em baixa, libra esterlina em franca desvalorização frente ao dólar, etc. –, é possível (repetimos: é possível) que essa nova realidade mexa também com a Premier League.

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Antes de entramos no assunto, porém, um esclarecimento: referimo-nos aqui à Premier League por se tratar do campeonato nacional mais rico e de maior destaque no Reino Unido e em todo o mundo; mas, certamente, as possíveis (repetimos: possíveis) consequências de que falaremos também poderiam afetar as séries menores da Inglaterra e os torneios de Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.

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Agora sim, direto ao ponto. Um dos maiores fatores do sucesso da Premier League é a sua capacidade de atrair os melhores jogadores do planeta. Os estrangeiros dominam os gramados da Rainha há tempos. As regras de contratação da Football Association, porém, são severas, e estão condicionadas à frequência dos atletas em suas seleções nacionais nos últimos dois anos antes da transferência: 30% em países TOP 10 (FIFA); 45%, para os posicionados entre 11º e 20º lugar; e 65% para 21º a 30º lugares; e 75% até o 50º lugar.

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Até hoje, esses “coeficientes” da FA não foram aplicados aos jogadores de países que integram a União Europeia – e também a outros, como Suécia, Noruega e Islândia, por exemplo, que não pertencem ao bloco mas seguem suas diretrizes econômicas –, pelo princípio da livre circulação de trabalhadores. Agora, porém, é o Reino Unido que está de saída da UE. Isso significa que, se a regra de contratações internacionais não mudar, muitos protagonistas internacionais da Premier League estariam, ao menos em teoria, inaptos para disputar a temporada 2016-17. Para entendermos, veja que estaria de fora do último campeonato:

LEICESTER CITY: Huth, Kantè e Wasilewski.

ARSENAL: Bellerin, Coquelin, Gnabry, Koscielny e Monreal (Arteta, Rosicky e Flamini estão sem vínculo).

TOTTENHAM: Vorm e Wimmer.

MANCHESTER CITY: Clichy, Navas e Sagna.

MANCHESTER UNITED: De Gea, Herrera, Januzaj, Martial, Mensah e Schneiderlin.

WEST HAM UNITED: Adrian, Obiang, Ogbonna e Payet.

SOUTHAMPTON: Clasie, Fonte, Gardos, Juanmi, Romeu, Stekelenburg e Van Dijk.

LIVERPOOL: Bogdan, Can, Enrique, João Teixeira, Lovren, Llori, Mignolet, Moreno e Sakho.

STOKE CITY: Afellay, Bojan, Imbula, Haugaard, Joselu, Muniesa, Teixeira e Wollscheid.

CHELSEA: Amelia, Remy e Zouma.

EVERTON: Deulofeu e Robles.

WATFORD: Akè, Berghuis, Capoue, Ekstrand, Holebas, Jurado, Mario Suarez, Oulare e Pantilimon.

SWANSEA CITY: Amat, Fer, Gomis, Nordfeldt e Rangel.

WEST BROMWICH ALBION: Olsson e Pocognoli.

BOURNEMOUTH: Boruc, Distin e King.

CRYSTAL PALACE: Hangeland.

SUNDERLAND: Borini, Kirchhoff, Kaboul, Lens, Mannone, M’Vila, Toivonen e Van Aanholt.

NEWCASTLE: Anita, De Jong, Gouffran, Haidara, Krul, Marveaux, Obertan e Riviere.

NORWICH CITY: Odjidja-Ofoe, Olsson, Pinto e Tettey.

ASTON VILLA: Amavi, Bacuna, Cissokho, Gil, Kozak, N’Zogbia, Okore, Traorè e Veretout.

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Os nomes acima, não custa repetir, são os da última temporada, que acabou com o título do Leicester. Atualmente, a Premier League conta com 188 jogadores provenientes do Espaço Econômico Europeu. Segundo o jornal The Guardian, se as regras de contratação da FA fossem aplicadas hoje aos países da UE, 66% dos atletas não estariam aptos para 2016-17; e se considerarmos as Primeironas e Segundonas de Inglaterra e Escócia, chegamos a 332 boleiros que não teriam permissão de trabalho, segundo a BBC.

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Que esse cenário baixe a competitividade da Premier League? Sim, mas não só: jogadores estrangeiros também são pilares da enorme visibilidade internacional do torneio. Afinal, não é por acaso que este torneio, repleto de estrangeiros, seja o mais assistido em todo o mundo (mais de 200 países), a ponto de assinar o maior acordo de broadcasting de todos os tempos. E essa atratividade “tipo exportação” que tem permitido à PL ser importante também na economia do Reino Unido: segundo um recente estudo da consultoria Ernest & Young, a PL contribui anualmente com £ 3,4 bilhões para o PIB do Reino Unido e gera outros £ 2,4 bilhões em impostos. Há muita coisa em jogo. A regra será revista?

I'm passionate about my country and whatever the result of Thursday's referendum, we will always be Great. Each side has the right to their opinion and that should always be respected whatever the outcome of the European Referendum. I played my best years at my boyhood club, Manchester United. I grew up with a core group of young British players that included Ryan Giggs, Paul Scholes, Nicky Butt and the Neville Brothers. Added to that was an experienced group of older British players such as Gary Pallister, Steve Bruce and Paul Ince. Now that team might have gone on to win trophies but we were a better and more successful team because of a Danish goalkeeper, Peter Schmeichel, the leadership of an Irishman Roy Keane and the skill of a Frenchman in Eric Cantona. I was also privileged to play and live in Madrid, Milan and Paris with teammates from all around Europe and the world. Those great European cities and their passionate fans welcomed me and my family and gave us the opportunity to enjoy their unique and inspiring cultures and people. We live in a vibrant and connected world where together as a people we are strong. For our children and their children we should be facing the problems of the world together and not alone. For these reasons I am voting to Remain

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Thiago Zanetin tem 30 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Serie A e na Europa.

Com informações de: The Guardian, BBC, Gazzetta dello Sport e Ernest & Young. Imagens: Divulgação.

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