A partir de 2019, só joga na CONMEBOL quem tiver equipe feminina. E isso é ótimo

Flamengo é o atual campeão brasileiro feminino.
Flamengo é o atual campeão brasileiro feminino.

A CONMEBOL aprovou hoje (30) a nova versão do seu Regulamento de Licencias de Clubes — uma série de normas que garantem a participação nas competições da entidade (consulte aqui). E é da página 34 desse documento, no critério 10.4, que vem uma grande novidade para o nosso mercado. Na íntegra:

O (clube) solicitante deverá ter uma primeira equipe feminina, ou asociar-se a um clube que a possua. Além disso, deverá ter ao menos uma categoria juvenil feminina, ou asociar-se a um clube que a possua. Em ambos os casos, o (clube) solicitante deverá prover todo o suporte técnico, equipamentos e infraestrutura necessária (campo de jogo para treinamento e disputa dos jogos) para o desenvolvimento das equipes em condições adequadas. Finalmente, exige-se que as duas equipes participem de competições nacionais e/ou regionais autorizadas pela respectiva associação-membro.

Bicampeão da Libertadores em 2009-10, quando teve Marta e Cristiane, Santos reativou o futebol feminino em 2015.
Bicampeão da Libertadores em 2009-10, quando teve Marta e Cristiane, Santos reativou o futebol feminino em 2015.

Pois é. A partir de 2019, antes de sonhar com conquistas na Copa Bridgestone Libertadores da América ou Copa Sul-Americana, seu clube terá que montar — diretamente ou via convênio técnico — e manter uma equipe feminina. Em campeonatos extremamente equilibrados como os nossos Brasileirão e Copa do Brasil, isso equivale a dizer que, no mínimo, todos os participantes das Séries A e B deverão fomentar o futebol feminino. E, acredite, isso é bom — tanto para quem vai começar do zero como para os poucos que já estabeleceram suas equipes.

Corinthians/Osasco Audax: Timão embarcou no futebol feminino via convênio.
Corinthians/Osasco Audax: Timão embarcou no futebol feminino via convênio.

Se bem trabalhadas, equipes femininas têm tudo para expandir os negócios dos nossos clubes e, finalmente, incluir as mulheres no jogo — lembra que, há apenas quatro anos, 25,2% delas se declaravam “sem time”?. Rapidamente, citamos cinco possibilidades:

PATROCÍNIOS: podem ser específicos ou uma extensão, renegociada para cima, dos acordos já estabelecidos para as equipes masculinas;

MERCHANDISING: se o seu clube não possui linhas femininas, técnicas, casuais ou de produtos licenciados, agora poderá ter. E se as que possui não são satisfatória, poderá melhorá-las;

ASSOCIAÇÃO: os clubes poderão construir o prestígio do seu futebol feminino (leia-se: apropriarem-se da modalidade como diferencial) junto à torcida, lançando, por exemplo, uma nova categoria em seus programas de Sócio-Torcedor — “ST Futebol Feminino”;

CONTEÚDO: o momento do futebol feminino pede um trabalho que promova não só o clube ou a equipe, mas a modalidade. É a oportunidade de aproveitar ou aperfeiçoar a estrutura de comunicação existente para criar perfis e programações específicas — como fazem, por exemplo, Barcelona e Wolfsburg;

MULHER NA ARQUIBANCADA: a torcedora, finalmente, poderá se reconhecer em campo. Isso tem que ser levado em conta no posicionamento da modalidade dentro do clube — comercial, promocional e institucionalmente.

Brasil acabou sem medalha nas Olimpíadas do Rio, mas sempre jogou com casa cheia: tem público, sim.
Brasil acabou sem medalha nas Olimpíadas do Rio, mas sempre jogou com casa cheia: tem público, sim.

Futebol Marketing acredita que o futebol feminino pode muito mais do que o “efeito substituição” pontual dos Jogos Olímpicos Rio 2016 — quando muitos adotaram a Seleção de Marta em oposição ao mau momento (depois revertido) do time masculino. Nossos próprios resultados na CONMEBOL mostram isso: das sete Libertadores Femininas realizadas até aqui, seis foram para o Brasil (três para o São José, duas para o Santos e uma para a Ferroviária).

É preciso estabelecer uma cultura em torno do futebol feminino, posicionar a modalidade na mente da torcida que, para que negar?, tem, em sua maioria, resistência a ver mulher jogando bola — seja por aspectos técnicos ou razões “extra-campo”. Nós, porém, preferimos ver o copo meio cheio. Comprometemo-nos, na medida do possível, a mostrar referências que gerem ideias sobre como o futebol feminino pode ser aplicado por aqui. Encaramos essa diretriz da CONMEBOL como uma oportunidade de desenvolvimento. Se será realmente assim, só o tempo e os nossos clubes dirão.

 

Thiago Zanetin tem 30 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha com o dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na Serie A e na Europa.

 

Imagens: Divulgação.

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