Parceiro da Nike, Le Havre produz camisa titular por conta própria. Por quê?

Le Havre 1962-63

São dois tons de azul: o mais claro, à direita, é uma homenagem à Universidade de Cambridge; e o mais escuro, à esquerda, faz menção à Univeridade de Oxford. Ambos são aplicados verticalmente e ocupam a mesma proporção. E, de preferência, sem demais “adereços” – ou seja, nada de linhas, formas, listras sobretom, desenhos em marca d’água etc. Assim deve ser a clássica camisa titular do Le Havre, o mais antigo clube em atividade no futebol francês, atualmente na Ligue 2 (Segundona).

le havre 006

A receita parece simples, certo? Mesmo assim, a Nike não estava conseguindo entregar uma camisa assim à gente ciet et marine. Parceria do clube desde 2012-13, a empresa – como faz com os clubes de menor apelo comercial do seu portfólio – fornecia apenas opções de catálogo, que não respeitavam o design e a necessária divisão de cores do modelo original. Nas três últimas temporadas, o Le Havre cedeu. Nesta, porém, as coisas mudaram.

le havre 007

Insatisfeito com os resultados – estilísticos e também de vendas -, o presidente do Le Havre, Jean-Pierre Louvel, impôs que a camisa titular de 2015-16 deveria voltar a ser aquela de sempre. E para isso, interferiu diretamente no acordo com a Nike: a partir de agora, o próprio Le Havre assumiria a produção e distribuição da sua maillot. Decisão 100% endossada pelo departamento de marketing e comunicação do clube, como comentou, na época, o titular do setor, Gauthier Malandin: “Não temos nada contra a Nike e, que fique claro, entendemos suas razões; mas era preciso frear esse processo de ‘standarização’ da nossa camisa segundo as lógicas comerciais”.

le havre 1c

Assim foi feito. Criada pelo clube e confeccionada em Portugal, a camisa do Le Havre vem tendo uma boa acolhida – que se explica também pelo preço de € 69,90, um dos materiais econômicos do futebol francês, possível graças à eliminação de custos e repasses para intermediários na cadeia de produção e distribuição. Mais do que isso, a volta dos azuis originais serviu até como mote para a campanha de venda de carnês da temporada: Fiers de nos couleurs, fiers d’être havrais, ou “Orgulhosos de nossas cores, orgulhosos de ser de Havre.

Le Havre 2b

“Então a parceria com a Nike foi quebrada?”, você pode se perguntar. Não, absolutamente. A marca do swoosh continua fornecendo a camisa reserva, os kits de treino e todo o material técnico. Afinal, integrar um portfólio que, apenas na França, veste clubes como Paris Saint-Germain, Monaco e Lille, também é importante. O Le Havre apenas assumiu o controle de uma situação que estava alterando sua identidade e, consequentemente, a percepção de seus valores junto à torcida. E nesses tempos em que muitos clubes parecem “fazer questão” de não conhecer seu público – como comprova, por exemplo, o recente mal-estar da torcida do Colo-Colo com sua administradora e a Under Armour -, a ação dos ciet et marine merece aplausos. Tradição também faz parte do negócio.

Thiago Zanetin tem 30 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha sempre em ver as verdadeiras cores gialloblù da cidade brilhando Europa afora.

Com informações de: Eurosport. Imagens: Divulgação

Category: CamisasMarketing

Comentários