#LoveWins | MLS celebra legalização da união gay nos EUA. E mostra que o nosso futebol precisa sair do armário

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Quando dizemos que a cultura do futebol chegou para ficar nos Estados Unidos, não nos referimos apenas à mobilização da sociedade em torno do esporte, mas, principalmente, a como o esporte pode, e deve, pertencer à sociedade. Por isso, não nos espantamos ao ver que hoje (26), as redes sociais dos clubes da Major League Soccer-MLS estão tomadas por postagens com a hashtag #LoveWins (“O Amor Venceu”), apoiando a constitucionalidade da união entre pessoas do mesmo sexo em todos os 50 estados americanos.

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Não estamos caçando polêmica. Sabemos que entre nossos leitores há muitos que não são favoráveis a essa decisão. Talvez você, que está lendo agora, seja um deles. Tudo bem, respeitamos a sua opinião e os seus motivos. Mas, ao mesmo tempo, propomos uma rápida visão sobre o tema do ponto de vista do marketing – que, afinal, é o nosso assunto aqui: o público LGBT é fundamental para o crescimento do futebol. Não só nos EUA, mas também no Brasil. E, mais especificamente, no seu clube.

Porque, sim, o seu clube tem torcida LGBT. E faz muito mal em não assumir. De acordo com Paul Thompson, fundador da consultoria especializada LGBT Capital, em entrevista ao portal UOL (31/05/2013), o mercado gay movimenta cerca de US$ 3 trilhões no mundo, sendo a fatia potencial do Brasil de R$ 300 bilhões. Já a revista ISOTÉ (30/05/2013) apontou que o público gay brasileiro é formado por cerca de 18 milhões de pessoas, em sua maioria das classes A e B, com renda média de R$ 3.200,00, e movimenta, segundo a consultoria InSearch Tendências e Estudos de Mercado, R$ 150 bilhões por ano no País.

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Em tempos de “TVdependência” nas receitas e “bancodependência” nas camisas, esses números – que já devem ser muito mais representativos do que em 2013 – podem ser vistos pelos gestores do futebol como oportunidades de emancipação. Pare e pense: qual tem sido a fatia do seu clube (dos nossos clubes) nesse mercado? Zero, ou próximo disso. E a saúde financeira do seu clube (dos nossos clubes) é assim tão privilegiada a ponto de poder ignorar a existência de um público com tamanho potencial? Já sabemos a resposta.

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Assim como fez a MLS hoje, nosso futebol precisa acolher as torcidas LGBT. Sair do armário mesmo. Para entender como, e quanto, esse público – que só não é menos invisível do que as mulheres – pode colaborar com o crescimento de cada clube e do esporte como um todo. Lá nos EUA, o amor venceu. Que aqui vença o amor, de todos, pela bola. Quem vai ser o primeiro?

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Thiago Zanetin tem 29 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha sempre em ver as verdadeiras cores gialloblù da cidade brilhando Europa afora.

 

Imagens: Divulgação

Category: Marketing