Amarelo na camisa titular do Colo-Colo? A torcida propõe boicote. E tem razão

colo colo 2

Bem-vindos a mais um capítulo de “Quem Liga Para a Opinião do Torcedor?”. O episódio de hoje nos leva ao Chile, onde o Colo-Colo, em parceria com a Under Armour (sua fornecedora esportiva), prepara o lançamento da camisa titular para a próxima temporada: predominantemente branca, como sempre foi; mas com detalhes amarelos na gola e nas barras das mangas, com nunca houve em 90 anos de história. Tudo, claro, feito à revelia da torcida – que, não nos esqueçamos, é quem compra. Motivos suficientes para despertar a fúria da maioria do povo blanco y negro, a ponto do coletivo popular “Colo Colo de Todos” convocar um boicote ao produto. Vamos conhecer suas razões e retomamos em seguida:

colo colo 1

BOICOTE AO AMARELO. Colocolino, respeite a sua história: não compre essa camisa.

Quem é Under Armour ou a Concessionária ByN para colocar outras cores na nossa gloriosa camisa? Relutantemente, já aceitamos cores diferentes em camisas de treinamento, e mesmo em camisas reservas. Mas a Camisa Branca Oficial é sagrada. Seu desenho pode ser complementado unicamente pelo cor preta.

Nosso uniforme foi definido no dia 19 de abril de 1925, por Juan Quiñones: camisa branca, representando a pureza; e calções negros, como símbolo de seriedade. Justamente no ano em que o clube comemorou 90 anos de fundação, em branco e preto, a Under Armour pretende incorporar o amarelo ao desenho da camisa oficial do Colo-Colo. Nosso convite é para que nos organizemos e lhes acertemos onde dói: nas vendas.

Se o amarelo chegar à camisa do Colo-Colo, vamos BOICOTÁ-LA e continuar com as nossas camisas antigas.

colo colo 3

Retomando. Como já dissemos algumas vezes aqui, a camisa é o maior vetor de marketing que um clube pode ter. À parte as verbas de TV, é a partir dela quem são gerados os maiores negócios – como contratos de fornecimento, acordos de patrocínios, “royalties” sobre vendas e etc. Mas, acima de tudo, é por ela que o torcedor torce. É através dela que o torcedor também entra em campo. E, nessas condições, a camisa deixa de ser apenas um produto para se tornar uma ferramenta de relacionamento, um reforço da paixão. E quando se lida com paixão, é preciso ter consideração.

Ora, como Colo-Colo e Under Armour esperava que os torcedores reagiriam a uma mudança que, por menor que seja (ou por melhor que fique), rompe com nove décadas de tradição? Eles não deveriam, no mínimo, ser consultados. Afinal, se reprovassem o projeto – como reprovam – estariam, ao mesmo tempo, dando soluções para que tanto o clube quanto a fornecedora criassem uma camisa vendável – porque alinhada com as expectativas de quem a veste. Uma oportunidade perdida, acreditamos, pela crença de que “o torcedor compra qualquer coisa que tenha a marca do clube”. Não compra, não. O torcedor compra o que conhece e aquilo em que se reconhece. Que fique de lição para todos.

Thiago Zanetin tem 30 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, sonha sempre em ver as verdadeiras cores gialloblù da cidade brilhando Europa afora.

Imagens: Colo Colo de Todos

Category: CamisasMarketing

Comentários