Liverpool pede cachecóis de todo o mundo para recordar 25 anos de Hillsborough

Hillsborough Stadium, Sheffield. 15 de abril de 1989. Poucos minutos após o início de Liverpool x Nottingham Forest, semifinal da FA Cup, dezenas, depois centenas, e depois milhares de reds invadiram o gramado, vindos do superlotado setor C. Os policiais locais – talvez com a massacre hooligan de Heysel ainda em mente – julgaram que toda aquela gente estava correndo de encontro aos torcedores rivais, no outro lado do campo, e ordenaram o bloqueio da única saída para o campo e também da entrada principal do estádio. Naquele momento, assinavam uma grande sentença de morte: a grande desabou; esmagados ou pisoteados, 96 torcedores do clube de Merseyside não tiveram a mesma sorte de outros 750, feridos, mas sobreviventes.

A partir de Hillsborough, tudo mudou. Desde sempre alheia ao futebol, a então primeira-ministra britânica, Margareth Thatcher (que, hoje sabe-se, teve um papel determinante para ocultar a responsabilidade da polícia no episódio), ordenou um levantamento completo sobre o que poderia ser feito para evitar novos desastres em estádios. Nascia ali o célebre “Relatório Taylor”, responsável pelo conceito de espetáculo vigente na Barclays Premier League, e que rapidamente se tornou referência mundial.

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Numa análise fria (mas fria, mesmo), pode-se dizer que esses 96 reds mortos foram mártires de uma grande mudança para melhor – assim como os 56 fãs que perderam suas vidas no incêndio de Valley Parade, em Bradford, quatro anos antes. Numa análise justa, porém, comprovamos que não há mártires, mas apenas vítimas: torcedores que, durante 25 anos, foram (e, incrivelmente, ainda são) culpabilizados por suas próprias mortes; famílias que conhecem a injustiça, mas ainda não viram a cor da justiça; e um clube, que nasceu das classes populares e se tornou poderoso graças à sua gente, e, desde então, começa todos os jogos com 96 torcedores a menos.

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O desastre de Hillsborough não pode ser esquecido. Suas vítimas, muito menos. E é em memória delas que o Liverpool está mobilizando a comunidade, não só do futebol, mas do esporte mundial, a doar cachecóis de seus clubes. Na última partida antes do sentido 25º aniversário da tragédia (13 de abril, contra o Manchester City), as peças serão posicionadas no gramado de Anfield Road, formando o número 96. Confira abaixo o comunicado oficial do clube:

Até o dia 8 de abril, o Liverpool aceitará qualquer cachecol, de qualquer clube e qualquer esporte.

Àqueles que nos enviarem uma peça, pedimos que escrevam uma mensagem para as famílias de Hillsborough, sobre qualquer assunto, como mais uma forma de apoio ao 25º aniversário da tragédia.

Todos os cachecóis devem ser enviados à Hillsborough Scarves, 20 Chapel Street, Liverpool, L3 9AG, chegando até o dia 8 de abril, para que se tenha a certeza de que farão parte da coreografia no gramado durante a cerimônia.

Pedimos ainda que os torcedores considerem o tempo de postagem internacional e os custos de envio e logística antes de enviarem suas doações, pois o Liverpool não será capaz de cobrir custos adicionais.

Imagens: Desconhecido

Category: ColunasMarketing

Comentários

  1. Pude ver na primeira imagem que havia itens de outros clubes, inclusive do Everton, maior rival local. Uma demonstração honrada de apoio além de cores e paixões a memória das 96 vítimas fatais e das outras 750 sobreviventes. Uma mentalidade digna de nota histórica.
    We will never forget!