Sobre como o amor pelo futebol salvou o Real Oviedo

Há pouco mais de uma semana, falamos sobre o drama financeiro do tradicional Real Oviedo, que, para sobreviver, iniciara um processo de ampliação do seu capital social, aberto a acionistas de toda ordem – sobretudo torcedores.

Na oportunidade, dissemos que, após o fraco resultado da etapa de renovação preferencial – que só arrecadou algo além de 5% dos € 4.000.000 necessários imediatamente para evitar uma execução – seria preciso “muito entusiasmo” para que o pior fosse evitado até o último sábado (17), data-limite da ação.

Pois, hoje, o clube está salvo. Os € 4.000.000 – um pouco mais, até – estão no caixa. Não houve só entusiasmo: houve, e há, amor. Aquele amor que só o futebol faz despertar. Franco. Contagiante. Emocionante.

Franco porque, no momento em que se viu ameaçada de ficar sem o seu amado Real, Oviedo inteira partiu para a ação (literalmente). Os torcedores, além de aderirem ao projeto, organizaram uma passeata e coletas. Diversos estabelecimentos comerciais adquiriram títulos. Veículos de mídia locais cederam espaço à campanha gratuitamente. Foi organizado um festival de rock em benefício do clube. Jogadores de hoje (profissionais e juniores) e de ontem, comissão técnica, diretores e funcionários – todos entraram para o rol de acionistas oviedistas. E só aí, já foram arrecadados € 2.000.000,00.

Contagiante porque, à base de hashtags e posts, a causa do Real Oviedo ganhou o mundo. Acredite: não “apenas” Oviedo que abraçou o clube, mas pessoas de mais de 60 países. Algumas, torcedoras de última (e boa) hora; outras, talvez jamais assistam a um jogo sequer; mas todas, sem exceção, encantadas pela chance de pertencer a uma história que é puro sentimento. Que levou jogadores famosos de passado oviedista, como Mata (Chelsea), Cazorla (Arsenal) e Mitchu (Swansea City), além de asturianos famosos, como o piloto de Formula 1, Fernando Alonso, a contribuírem – com apoio e dinheiro. Que fez inclusive o Real Madrid investir (emprestar, na verdade) € 100.000 de seus cofres.

Emocionante, enfim, porque essa grande mobilização expôs o potencial – de marca, de arrecadação – do Real Oviedo, que estava adormecido na periferia da Terceirona espanhola. E graças a ele, a história pôde ter um final feliz, com o investimento de € 2.000.000 por parte da Inmobiliaria Carso, empresa do mexicano Carlos Slim, homem mais rico do mundo e novo proprietário clube, que parece pronto para devolver ao futebol da cidade seus melhores dias.

Histórias como esta, do Real Oviedo, vão contra a lógica dos números que, hoje, regem o futebol. Eles são importantes, claro; mas todos os negócios que são feitos, os patrocínios que são vendidos e produtos que são criados, servem apenas para atingir os únicos números que interessam: aqueles que registram as batidas do coração de um torcedor ao ver o brasão ou ouvir o nome do clube que ama. Ainda há muito por fazer para sanear o Real Oviedo. A meta da ampliação de capital, afinal de contas, passava de € 17.000.000. Mas, a essa altura, esse número é só mais uma meta possível. Muito possível.

Imagens: Real Oviedo SAD (1, 2, 4, 7); Reprodução (3, 5); Desconhecido (6)

Artigo atualizado em 21/11/12, com informações do nosso leitor internacional Lelo. Muchas gracias, amigo.

Thiago Zanetin (@th_dellascala) tem 27 anos e é redator publicitário na Concêntrica Comunicação e Conteúdo. Fanático seguidor do Hellas Verona, espera ansiosamente pelo dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar na elite italiana.

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Comentários

  1. Mais uma grand histrória de amor de uma torcida por seu clube, realmente emocionante;

  2. No es correcto. Afición puso 2.000.000€ + Carlos Slim 2.000.000
    Alonso (Ferrari), Adrian, Michu, Mata, Cazorla, y otros famosos, cantidades simbolicas.

  3. Holá Lelo.

    Ok, amigo. Vamos fazer já estas correções.

    Abraço,

    Thiago Zanetin /=\