Coluna | Banalização ou oportunidade?

O Timão foi um dos precursores e exemplo de bons negócios. (Imagem: Reprodução/Nike)

De cinco anos pra cá, passamos a presenciar um fenômeno, o chamado marketing de oportunidade sendo aplicado nos uniformes de grandes clubes da elite do futebol brasileiro.

A camisa oficial é a propriedade mais valiosa que o clube possui. É por esse espaço que as empresas travam verdadeiras batalhas para conseguirem estampar suas marcas.

Vistas por milhões de pessoas nos estádios e nas TVs pelo mundo, as camisas também despertam o desejo de consumo de milhões de torcedores, que fazem esforço para terem em seus guarda-roupas a camisa do seu clube de coração.

Negociar mangas de camisas por jogo, frente/costas por um período curto de 3 meses, trocando em seguida por outra marca ou mantendo o uniforme liso é uma realidade do futebol brasileiro. Times estão vendendo cada centímetro possível. As camisas estão ficando cada dia mais poluídas e muitas até parecem colchas de retalho, com tantas cores, marcas, desenhos e letras.

Mas, o que será que isso representa? Banalização da camisa oficial ou apenas uma oportunidade encontrada pelos clubes para aumentar sua renda?

O mercado brasileiro já é uma plataforma efetiva para patrocinadores e as previsões são ainda mais otimistas. Segundo pesquisas do mercado, o futebol brasileiro é o 3º que mais arrecada com patrocínios em camisas no mundo. A média do lucro total dos clubes do Brasil é de € 104,6 milhões, arrecadação somente menor do que a dos times ingleses (€ 128 mi) e alemães (€ 118 mi). Acredita-se que a arrecadação dos times brasileiros crescerá ainda mais nos próximos anos, principalmente com a proximidade da Copa de 2014.

Na Europa, mesmo com toda a crise econômica, as receitas provenientes de patrocínio de camisa, sofreram um aumento de 16% com relação à temporada anterior.

Mas esse aumento no volume de patrocinadores não se dá somente pela presença de grandes jogadores conhecidos, por exemplo, mas, principalmente, pela pulverização de patrocínios que existe dentro da camisa.

As empresas estão aproveitando tanto situações pontuais, como o jogo de um time pequeno na Copa do Brasil contra um grande clube, quanto os próprios clubes grandes e tradicionais que negociam contratos de médio/longo prazo. Algumas delas também fazem o contrato baseado na perfomance: quanto melhor a perfomance do time, maior será o bônus pago.

É normal os clubes precisarem do patrocínio. Essa sem dúvidas é uma das maiores formas de capitação de receita. Mas, é preciso tomar o mínimo de cuidado e pensar até que ponto é válido expor em alguns casos 5 marcas diferentes em seu uniforme. Assim, o efeito positivo que aquela ação poderia ter, passa a ter efeito contrário, pois os consumidores acabam não associando a marca a tal time.

Na Europa, por exemplo, existe uma exposição das marcas em camisas, mas de forma, vamos dizer, controlada. Os clubes possuem muitos patrocinadores e parceiros. Mas, é difícil ver mais do que uma marca por camisa. Só o patrocinador principal é que estampa no manto daquele clube.

Vamos preservar nossas valiosas camisas. Existem outras diversas maneiras de expor as marcas parceiras e patrocinadoras. Vamos pensar que essa é uma oportunidade excelente, mas para quem souber usar. Fica a dica: estampe com moderação!

Por: Larissa Esteves Guerreiro – Apaixonada por Marketing e Futebol e vice-versa.

Category: Colunas

Comentários

  1. Na Europa, muitos dos campeonatos não permitem mais de um patrocinador nas camisas, como a UCL e a Premier League, mas as federações pagam bem mais do que as federações daqui.

  2. Na Europa, muitos dos campeonatos não permitem mais de um patrocinador nas camisas, como a UCL e a Premier League, mas as federações pagam bem mais do que as federações daqui.
    A solução seria investir no marketing com os jogadores, não somente expor a marca as camisas, e “juntar” a imagem do clube com o patrocinador.

    Um exemplo é a UEFA, pois só na 1ª fase da UCL, ela paga em torno de 15 milhões de euros(ou reais) se eu não me engano.Já a CONMEBOL paga míseros 100 mil dólares na 1ª fase, e ainda pega 10% da renda dos clubes.

    Por ser dessa forma, os clubes tem de recorrer a muitos patrocínios nas camisas, como o Corinthians, por exemplo, mas eles poderiam vender as camisas de jogo com mo máximo dois patrocinadores.

    Eu, por exemplo, comprei uma do São Paulo FC retrô, pois não gostei da camisa de 2011 com aquele BMG laranja.

  3. Infelizmente nosssos times ainda não perceberam a capacidade e o poder que seus uniformes tem junto aos seu apaixonados torcedores e enchem suas lindas camisas com patrocínios e ás vezes vc nem sabe onde está o escudo do time de tão “poluída” a camisa está de anunciantes.gostaria qua os departamento de marketing dos nosos clubes ficassem mais atentos com relação á isso e tentassem entrar em acordo com estes futuros patrocinadores,como por exemplo: os clibes brasileiros têm dois e ás vezes três uniformes,por que não fazer como o Olympique de Lyon da França que tem três uniformes e três patrocinadores um para cada uniforme do time.espero ver um dia as camisas dos nossos times mais bonitas e menos “poluídas”,Infelizmente acho que não vai ser agora,infelizmente.

  4. Infelizmente nosssos times ainda não perceberam a capacidade e o poder que seus uniformes tem junto aos seu apaixonados torcedores e enchem suas lindas camisas com patrocínios e ás vezes vc nem sabe onde está o escudo do time de tão “poluída” a camisa está de anunciantes.gostaria qua os departamento de marketing dos nosos clubes ficassem mais atentos com relação á isso e tentassem entrar em acordo com estes futuros patrocinadores,como por exemplo: os clubes brasileiros têm dois e ás vezes três uniformes,por que não fazer como o Olympique de Lyon da França que tem três uniformes e três patrocinadores um para cada uniforme do time.espero ver um dia as camisas dos nossos times mais bonitas e menos “poluídas”,Infelizmente acho que não vai ser agora,infelizmente.

  5. Por favor, reabram essa discussão.

    Submetam à CBF, divulguem uma proposta de restrição dos patrocínios através das redes sociais e da imprensa.

    Ninguém mais aguenta ver as camisetas dos seus times do coração tapadas de uma ponta à outra (com um patrocínio no peito, um na barriga, outros dois nas costas, além de ombros, braços e até mesmo por dentro da camisa!) com marcas de desodorante, cursos de inglês, planos de saúde, instituições financeiras, automóveis, laticínios e qualquer outro tipo de coisa que pagar pela divulgação em um espaço desvalorizado pela própria poluição visual.

    Sou gremista e deixo de comprar o uniforme do meu time quando me deparo com quatro ou cinco anúncios distribuídos pela camisa – supostamente – tricolor, além de adquirir imediata antipatia àquelas marcas que se entranham nos lugares mais imprevisíveis e inconvenientes de tempos em tempos

    Chegou ao ponto da clássica camisa branca do Corinthians ter patrocínios simultâneos da Batavo (peito), Panamericano (barriga), Bozzano (braços), Bau (ombros) e Avanço (axilas; repito, axilas).

    Isso que eu nem falei sobre os calções, nos quais não deveria haver publicidade alguma!

    E, dependendo da capacidade de exploração de cada clube, a redução dos espaços publicitários (redução da oferta) só tende a valorizar aquele espaço autorizado, como ocorre nas maiores ligas do mundo, não resultando em perda financeira.

    Por mais que a CBF se paute sempre pelo interesse financeiro dos seus “colaboradores”, esta medida também seria benéfica aos macroinvestidores, que contariam com a exclusividade de publicização e maior identificação junto ao clube patrocinado e seus torcedores.

    Sem falar no uso que a CBF (principalmente a atual administração) poderia fazer desta regulamentação, acolhendo conhecido apelo popular (bastando ler os comentários anteriores e a mobilização que o assunto gerou) e midiático, além de ganhar uma simpatia que hoje inexiste, pois estaria atuando de fato na proteção do tradicional futebol brasileiro e na valorização das suas instituições.