Coluna | Sustentabilidade no Esporte

Por Fabio Aires da Cunha – www.fcunha.com.br

Técnico de Futebol; Mestre em Ciências do Movimento; Diretor Executivo da Revista Gestão no Esporte.

Empresas privadas, órgãos governamentais, OnGs e outras procuram a cada dia empregar novos conceitos de gerenciamento e também de desenvolvimento sustentável. Os termos sustentabilidade e desenvolvimento sustentável vêm sendo muito divulgados e utilizados no mundo atual.

Com as mudanças que vêm ocorrendo no mundo, sejam climáticas, econômicas, culturais ou sociais, as pessoas e as organizações estão tomando atitudes drásticas para sanar e evitar problemas futuros. Como as mudanças são mundiais, as entidades esportivas também devem se adequar a esses conceitos e práticas.

Além das práticas de Governança Corporativa e mudanças administrativas, as instituições têm procurado incorporar no seu planejamento e na sua atuação, os conceitos de sustentabilidade, contribuindo assim para a renovação dos recursos e em implantar um sistema que seja autossustentável.

Sustentabilidade é um conceito que surgiu na década de 1980, após a constatação de inúmeras formas de agressão ao meio ambiente, ocasionadas por interferência humana. O termo está relacionado à renovação, ou seja, os aspectos econômicos, culturais, sociais e ambientais da sociedade humana necessitam de uma continuidade. O conceito se refere a um sistema que se renova e se completa, sem agredir o local em que vivemos.

Segundo o Relatório da Comissão Brundtland (apud MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO DE PORTUGAL, 2006, p. 18), “o desenvolvimento sustentável satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras poderem também satisfazer as suas”.

A essência do conceito está contido em apenas quatro palavras “Enough for everyone, forever” (O suficiente para todos e para sempre). Estas palavras encerram as ideias de recursos limitados, consumo responsável, igualdade e equidade e perspectiva de longo prazo, todas elas correspondentes a conceitos importantes do domínio do desenvolvimento sustentável (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO DE PORTUGAL, 2006, p. 18).

Conforme a World Commission on Environment and Development (1987), desenvolvimento sustentável é definido como o “desenvolvimento que dá resposta às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras darem resposta às suas próprias necessidades”.

Para o International Institute for Sustainable Development (2010), os três principais aspectos do desenvolvimento sustentável são: ambiente, economia e comunidade. Afirma ainda que o desenvolvimento sustentável é um processo em constante evolução, reunindo fatores culturais, sociais, econômicos e ambientais; é necessário para criar oportunidades, prosperidade e escolhas e deve proceder de modo que deixe alternativas disponíveis para as gerações futuras.

Para não ficarem à margem dos conceitos modernos de administração e gerenciamento, os clubes e instituições esportivas têm adotado a prática da sustentabilidade no seu cotidiano. Num primeiro momento o esporte demorou a adotar o desenvolvimento sustentável. Enquanto empresas vêm adotando essa prática há anos, o esporte ainda carece de muito estudo e aperfeiçoamento nessa área.

Exemplos de sustentabilidade no esporte:

– As camisas que as seleções do Brasil, Austrália, Holanda e Portugal utilizarão na Copa do Mundo da FIFA 2010 são feitas 100% com material reciclado. São utilizadas oito garrafas plásticas recicladas para fabricação de cada uniforme.

– A malha Take®, fabricada pela Santaconstancia Tecelagem, foi criada a partir da fibra de bambu, dispensa a utilização de agrotóxicos e contribui com a renovação do ar. O tecido tem propriedade bacteriostática, que evita o odor do suor, e ajuda a manter a temperatura ideal do corpo durante a atividade física.

– O ginásio Richmond Olympic Oval, local onde foram disputadas as provas de patinação de velocidade nos Jogos Olímpicos de Inverno em Vancouver 2010, foi construído com madeira reaproveitada, tem capacidade de armazenar água da chuva para usar nos sanitários e irrigar árvores e de utilizar o calor das máquinas de fazer gelo para gerar energia.

– A academia EcoFit (www.ecofit.com.br), em São Paulo, é uma academia com preocupação e responsabilidade social. Intitulada a única academia ecológica do Brasil, possui uma estrutura física voltada à otimização e preservação dos recursos naturais. Nos vestiários, foram instalados chuveiros com arejadores e de timer para medir o tempo dos banhos e promove campanhas de reciclagem e desperdício.

– O economista americano Ian McKee e o arquiteto brasileiro Vicente de Castro Mello idealizaram e escreveram o Projeto Copa Verde, que inclui as EcoArenas e planos que envolvem todos os serviços a serem prestados aos brasileiros e visitantes durante a Copa do Mundo da FIFA em 2014. Copa Verde é a competição pela sustentabilidade. Por exemplo, os estádios de futebol têm vida útil que varia entre 50 e 70 anos, com isso, necessitam da implantação de sistemas de uso racional de água e fontes de energia renováveis.

– O Clube Esportivo Helvetia utiliza a energia solar para aquecer suas piscinas e os chuveiros dos vestiários. Com o uso dessa tecnologia, além do ganho ambiental, o clube teve um ganho econômico. Economizou, em um ano, 9% nas contas de água e 29% nas contas de energia elétrica.

– O Esporte Clube Pinheiros possui um Sistema de Gestão Ambiental. Tem como meta reduzir continuamente o impacto dos serviços que causem prejuízo ao meio ambiente, sendo respaldada pelos seguintes princípios: Preservação é dever de todos os diretores, empregados e colaboradores do clube; buscar a atuação preventiva como forma prioritária de ação; sensibilizar o público frequentador para o respeito ambiental; atender aos requisitos legais aplicáveis e outros subscritos pela organização relacionados ao meio ambiente.

Referências:

INTERNATIONAL INSTITUTE FOR SUSTAINABLE DEVELOPMENT (IISD). Disponível em: <www.iisd.org>. Acesso em: 8 mar. 2010.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO DE PORTUGAL, ed. Educação para a Cidadania. Guião de Educação para a Sustentabilidade: Carta da Terra. Dezembro 2006. Disponível em: <http://www.earthcharterinaction.org/invent/images/uploads/ECTG%20(Portuguese).pdf>. Acesso em: 8 mar. 2010.

WORLD COMMISSION ON ENVIRONMENT AND DEVELOPMENT. The report of the world commission on environment and development, 1987.


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