Coluna | Na Dose Certa

Dose certa

Tudo começou em 28 de fevereiro de 2012, quando a Comissão Especial da Câmara dos deputados aprovou o relatório que prevê que a Lei Geral da Copa libera bebidas alcoólicas nos estádios durante a Copa de 2014.

O consumidor, o torcedor, o patrocinador e o governo. Todos envolvidos de alguma forma. Uns contra, outros a favor. É o Estatuto do Torcedor para cá. O contrato de realização do mundial acordado com a FIFA para lá. E ainda tem a Lei Geral da Copa. Tantos acordos, tantas normas, tantas regras…

Muitas divergências, muitas idas e vindas, muito “disse me disse”. E depois de quase trinta dias, nada ficou resolvido sobre a loira mais querida do Brasil e seu consumo nos estádios.

Mas, como será que se posicionam e o que pensam as partes envolvidas?

Segundo o governo, a liberação da bebida foi um compromisso firmado com a FIFA em 2007. Existe uma garantia (a número 8 do tal contrato), que protege a exploração dos direitos comerciais. Nesse item, o governo brasileiro garante e assegura à FIFA que “não existem nem existirão restrições legais ou proibições sobre a venda, publicidade ou distribuição de produtos das afiliadas comerciais, inclusive alimentos e bebidas, nos estádios ou em outros locais durante a competição”. A venda de bebidas é o principal ponto de divergência entre deputados e uma das razões pelas quais a Câmara ainda não conseguiu votar o texto da Lei Geral da Copa. A idéia principal agora é transferir para os Estados o ônus de negociar o fim das restrições. O texto suspenderá durante os eventos da FIFA o artigo do Estatuto do Torcedor, que proíbe a venda, e a entidade terá de negociar diretamente com os Estados onde há leis contrárias. Por enquanto, ao menos seis das doze sedes da Copa de 2014 admitem aceitar o compromisso do governo federal com a entidade e liberar a venda e o consumo de bebidas alcoólicas.

A negociação mais falada dos últimos dias é uma das exigências da FIFA para a realização do Mundial, já que uma cervejaria é umas das principais patrocinadoras da competição. Em 2014, a AB-Inbev pretende vender a marca Brahma em espaços oficiais, perímetro que inclui o interior dos estádios. E a Budweiser seguirá como a marca global do grupo, mas também associada à competição. O discurso do patrocinador por enquanto é de que, se o torcedor não puder beber dentro dos estádios, ele vai beber fora de qualquer jeito. Segundo pesquisas realizadas por uma empresa inglesa, com a proibição da cervejinha, o torcedor bebe em mais quantidade e por mais tempo ao redor do estádio. Além disso, a pesquisa também mostrou que esses consumidores-torcedores, acabam entrando no estádio em cima da hora do jogo, causando tumulto e confusão.

Já a FIFA resiste à idéia de negociar um acordo para a venda de bebidas com cada cidade-sede da Copa e, por enquanto, considera a proposta apresentada pelo governo como pura especulação.

E para saber um pouco mais sobre o que os torcedores acham sobre essa polêmica, resolvi fazer uma pesquisa com pessoas que frequentam os estádios e convivem com essa situação.

Foram 125 entrevistados e desse total 72,3% são a favor e 27,7% são contra a lei de liberação das bebidas alcoólicas nos estádios brasileiros.

Para a maioria, o futebol é uma forma de entretenimento e assistir uma partida bebendo uma cervejinha não tem problema algum. Para esse público, a questão da violência nos estádios vai muito além de um ou dois copos de cerveja, é um problema social, de educação dos torcedores e que deve ser combatido com o aumento da segurança tanto dentro quanto fora dos estádios. Além disso, quase todos eles falaram sobre o consumo de bebida antes de entrar no estádio e que dessa forma, as pessoas já entram alcoolizadas para assistir ao jogo.

Já os 27,7% que são contra a liberação alegaram que o álcool é o grande vilão, já que ele aumenta a agressividade das pessoas, principalmente em um clima de rivalidade que prevalece nos jogos de futebol. Alguns outros também citaram os interesses comerciais que são envolvidos em um evento do porte da Copa do Mundo, além de acreditarem ser apenas um capricho alterar a lei para atender a uma exigência da FIFA.

Acho que muito dessa discussão vem acontecendo por conta do comportamento do torcedor brasileiro. O argumento por aqui é de os torcedores ficam mais agressivos sob o efeito do álcool. Mas, basta analisar o histórico de pancadarias para saber que são outros os fatores reais de violência. Em muitas vezes que presenciei confusão nos estádios, torcedor xingando juiz ou querendo arrebentar o portão, não era porque tinha bebido, mas sim porque o seu time tinha perdido ou o juiz não tinha marcado aquele pênalti decisivo.

Não estou aqui para defender ou não a liberação. Só acredito que os brasileiros não devem ser tratados como as pessoas mais mal educadas do mundo. As maiores festas de torcida acontecem aqui. Nós damos show, nossas torcidas arrepiam qualquer um!

Precisamos ter limites. Precisamos de equilíbrio.

O maior problema disso tudo é a educação, a segurança pública e a civilidade. Isso sim é o que falta em nosso país. Nada disso combina com oportunismo nem com hipocrisia. O que nós brasileiros queremos é um lugar no Maraca, para assistir à final da Copa do Mundo e poder gritar “É Campeão!”, com eu sem a “loirinha” em nossas mãos!

Por: Larissa Esteves Guerreiro – Apaixonada tanto por Futebol quanto Marketing e vice-versa.

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