Coluna | Espírito da Euro

Por Larissa Esteves

Em julho de 2004, estive em Portugal e tive a sorte e o prazer de vivenciar todo o clima da Eurocopa que acontecia no país. E por outro lado, o azar de não ter encontrado mais ingressos para a final.

Mas, o que mais me marcou em mais essa passagem pela minha terrinha querida foi todo o envolvimento dos portugueses, sejam eles adultos, crianças, homens e mulheres com a competição.

Logo que sai do aeroporto percebi que as casas estavam mais coloridas. As janelas estavam “vestidas” de verde e vermelho. A camisa da seleção podia ser vista aos milhares pelas ruas das grandes cidades ou das pequenas aldeias lusitanas. Era um verdadeiro clima de Copa do Mundo. Logo me lembrei das ruas do Rio pintadas, cheias de bandeirinhas. Nossos churrascos para assistir aos jogos da seleção canarinho. Mas, o que acontecia ali, não era o maior campeonato do mundo do futebol.

Pela Euro 2044, Portugal tinha se transformado no país do futebol. E tenho certeza de que é isso que está acontecendo com Polônia e Ucrânia desde que foram escolhidos como os países anfitriões da Euro 2012.

(Imagem: Reprodução)

O campeonato, que acontece desde 1960, é o principal campeonato de futebol entre seleções dos países da europeus. Desde então, vem ganhando força e aumentando sua participação no mercado dos grandes eventos do futebol.

É impressionante o quanto essa competição “mexe” não só com os torcedores europeus, mas também com os amantes do bom futebol. Mesmo, nós aqui do outro lado do oceano, ouvimos falar constantemente sobre a competição e nos sentimos envolvidos e motivados em assistir aos jogos, conhecer e entender mais sobre as seleções.

Além dos torcedores espalhados ao redor de todo o mundo, o campeonato também consegue atrair bastante a atenção e o interesse das empresas que costumam investir no esporte.

A competição envolve um grande número de transações financeiras, do pagamento de fornecedores à gestão de ingressos e de pacotes de hospitalidade para empresas. Para a edição de 2012, contratos vêm sendo assinados desde o ano de 2009. A UEFA fechou uma cota de dez patrocinados globais da competição que terão direito a ingressos promocionais, propriedades de publicidade estática e poderão usar comercialmente o selo de patrocinador oficial do evento. E além desses, cada país anfitrião tem direito a mais quatro vagas nacionais de patrocinador.

Para esse grupo, a UEFA realizou quatro workshops de patrocinadores e possibilitou às empresas uma oportunidade de avaliação e de preparação para o campeonato. O primeiro encontro aconteceu em 2010 e sete dos dez parceiros já estavam definidos na época e participaram da reunião.

Para ajudar na gestão dos parceiros e operações comerciais a UEFA conta a com UEFA Events, empresa subsidiária responsável pela angariação de patrocínios e pelo trabalho conjunto com eles. O seu papel, entre outros, é o de desenvolver pacotes que correspondam às necessidades dos patrocinadores e programas que ajudem a UEFA e os patrocinadores a alcançarem os seus objetivos.

Além dos patrocinadores oficiais, existem muitas outras empresas que se planejaram e estão aproveitando a competição, seja porque patrocinam as seleções ou porque desenvolveram campanhas focadas no evento. Um bom exemplo disso é a marca de chocolate Mars, que patrocina a seleção inglesa e vai investir algo em torno de US$ 7 milhões na Euro 2012, quase 70% a mais do que investiu na Copa de 2010.

A Euro nem começou, mas pelo volume de investimentos nas campanhas de comunicação de algumas empresas dão um bom indicativo de como será interessante do ponto de vista comercial.

Os direitos de transmissão da Eurocopa de 2012 foram vendidos por 1 bilhão de euros (R$ 2,5 bilhão), chegando quase ao mesmo valor arrecadado na última Copa do Mundo.

Os preços dos ingressos variam entre os 30 e os 600 euros, estando disponíveis vários tipos de ingressos. A UEFA, em consulta com as federações da Polônia e da Ucrânia e os comitês organizadores locais, colocou em prática uma política de ingresso justa e transparente, com o objetivo de possibilitar preços acessíveis para todos os 31 jogos. O poder de compra dos cidadãos locais também foi levado em consideração na decisão dos valores dos ingressos.

E quando paro pensar, depois da Copa do Mundo, a Copa América é, junto da Eurocopa, o evento futebolístico de seleções mais importante do mundo.

Mas, será que é isso mesmo?

Existe uma diferença gritante entre o tamanho e a repercussão da competição disputada no velho continente e a “nossa”. Nós somos o país do futebol, nós temos o rei Pelé. Nossos jogadores sempre foram os melhores do mundo. Junto com os “hermanos” construímos a maior e melhor rivalidade do futebol. O atual melhor do mundo é argentino. Mas, e aí?

Mesmo o histórico de alto nível de audiência que a competição tem, não parece ser suficiente para trair os pesados investimentos das empresas patrocinadoras. Na última edição que aconteceu na Argentina foram nove patrocinadores. Ok, quase como na Euro 2012. Mas, se você comparar o montante investido na competição, a diferença entre uma e outra se mostra bastante significativa.

O brasileiro é indiscutivelmente apaixonado por futebol, mas, veja se concorda comigo: infelizmente a grande maioria não está nem aí para a Copa América, não é mesmo? Não existe nem 50% da motivação de uma Copa do Mundo, por exemplo. As cidades nem se enfeitam, as pessoas nem tem folga no trabalho, o comércio nem lembra que a nossa seleção vai jogar.

E nessa história toda, a culpa é de quem? De nós brasileiros que só queremos vencer a Copa do Mundo? Da Conmebol que tem sérias dificuldades no seu planejamento e organização?

Infelizmente essa resposta eu não tenho. Só posso dizer que por ser apaixonada por futebol, tenho a certeza de que a Euro de agora será, mais uma vez, um show de entretenimento e bom futebol. E espero poder dizer o mesmo sobre a próxima Copa América. Ainda faltam três anos, tempo mais do que suficiente para que um planejamento decente seja feito e que a imagem da competição seja valorizada por torcedores e patrocinadores da melhor forma possível.

Ambas as competições são acontecimentos extraordinários e eventos fantásticos de se promover. Por isso, devem ter todo o seu potencial explorado. Dessa forma, todo mundo sai ganhando. Grandes receitas são previstas para organizadores e patrocinadores. O país organizador tem um grande ganho econômico. Para os fanáticos por futebol jogos de excelente qualidade, seja ao vivo, pela TV ou internet.

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