Coluna | Chinês ou Indiano, o importante é saber o que se faz

Por Allan Barrach

Quando o Corinthians acertou a contratação do chinês Chen Zizhao, a torcida certamente não esperava um craque. Uma contratação que não veio pela indicação de um olheiro ou treinador, mas do diretor de marketing Luis Paulo Rosenberg, já diz muito sobre quais eram os objetivos do clube ao contratar um jogador de um país sem tradição no futebol mas que conta com uma enorme população, que tem poder de consumo e, está cada vez mais vidrada em futebol.

A China, aos poucos tenta se parecer com Estados Unidos e o tal “Mundo Árabe”. Contratar grandes nomes que estão em fim de carreira pode realmente ser uma boa para a evolução técnica do futebol local, mas principalmente para atrair mais pessoas aos estádios e, claro, muito lucro através do marketing e merchandising. Conca, Anelka, Drogba, são os primeiros nomes a fazerem o futebol chinês ser “reconhecido” no mundo. A verdade é que eles estão sabendo trabalhar bem isso, mas e o ocidente? Por quê não trabalhar bem e aproveitar esse impacto midiático?

No ano passado tivemos o primeiro grande exemplo disso, quando o Real Madrid disputou um dos jogos da Liga BBVA em horário totalmente alternativo mas possibilitando que o mesmo fosse transmitido em horário onde os tais chineses pudessem assistir. Conclusão: Aproximadamente 120 milhões de pessoas no país assistiram ao jogo pela tv e o clube embolsou uma grande quantidade de dinheiro.

Um outro grande exemplo, mais parecido com caso Zizhao-Corinthians, foi a contratação do jogador indiano Sunil Chhetri pelo Sporting de Lisboa esta semana. Chegando para jogar pela equipe B do clube, ninguém espera que Chhetri marque grandes gols ou se torne um ídolo da torcida. Mas em menos de 24 horas do anúncio da contratação, o nome do clube português já era um dos assuntos mais comentado no twitter mundial e o principal nome nas redes sociais da Índia, um país com nada mais, nada menos, que 1,2 bilhão de pessoas e que não para de crescer. No dia seguinte, jornais do país inteiro colocaram a notícia em suas capas, chamando o Sporting de “um dos maiores clubes do mundo”. Não que isso seja uma questão de ser ou não, mas as redes sociais e blogs alternativos do clube explodiram em acesso, e hoje, milhões de pessoas que nunca sequer ouviram falar no clube, são potenciais consumidores de uma marca.

Então, podemos dizer sim, que Zizhao poderia ter sido uma grande contratação para o Timão e que, talvez, seja mais negocio contratar chineses ou indianos, do que vender os jogadores pros lados de lá do globo.

Chhetri é apresentado no Sporting. Menos festa, mais retorno.

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