“Amém, Marcos”: o livro de fotos do Santo, com prefácio de Joelmir Beting

A despedida do goleiro Marcos continua rendendo produtos no Palmeiras. Na última semana, o clube lançou “Amém, Marcos”, livro de fotos oficial sobre os últimos anos da sua “santa” carreira, editado pela Mundo dos Livros e à venda na Mondo Palmeiras, por R$ 89,90.

Com autoria de César Greco, fotógrafo oficial do Verdão desde 2009, a obra mostra, em suas 200 páginas, imagens conhecidas e exclusivas das defesas em jogos e treinos; dos momentos nos vestiários, concentrações e descontrações; de alegria e bom humor nas conquistas; e também das dolorosas lesões, que marcaram a vida do eterno camisa 12.

Além reforçar o culto à imagem – e à marca – do goleiro, “Amém Marcos” ainda traz, em seu prefácio, o já célebre texto “Ver para crer”, último escrito deixado pelo jornalista e palmeirense (não necessariamente nesta ordem) Joelmir Beting, falecido em novembro deste ano. Uma autêntica ode ao “são-marquismo”, que FutebolMarketing.com.br reproduz na íntegra:

Ver para crer

Fui coroinha e secretário de um brasileiro cuja vida está sendo estudada pelo Vaticano em um processo de beatificação. É o padre Donizetti, lá de Tambaú, interior de São Paulo, minha terra.

Como a sua Oriente, Marcos. Ao lado daquele homem de Deus, vi e vivi muitas coisas que não têm explicação. Apenas fé. Assim como não têm explicação muitas de suas ações, defesas, palavras e orações, Marcos. Ao longo de vinte anos de nossa paixão: o Palmeiras. Para quem viu de perto o que o padre Donizetti fez pelos romeiros em Tambaú, para quem torceu de perto – como um verdadeiro devoto do anjo da guarda palestrino –, atesto e dou fé que conheço duas pessoas abençoadas. Você pode até não achar. Mas, para nós, palestrinos de verde e de credo, doentes de paixão, você é são. Você é santo.

Fui repórter esportivo por cinco anos. Em 1961, vi o Pelé fazer um gol no Maracanã que me inspirou a dar uma placa a ele – a que gerou a expressão “gol de placa”. Desde que o vejo na nossa meta, Marcos, a partir de 1996, gostaria de ter continuado na imprensa esportiva só para coroá-lo com honras. Especialmente na Libertadores de 2000 (contra quem, não preciso dizer). Mas, pensando bem, melhor ter seguido como jornalista econômico. Assim, nunca tive de criticá- lo pelas poucas falhas que cometeu em sua limpa carreira – tão limpa como seu caráter. Pelo contrário. Apenas o aplaudi pelas defesas do tamanho do nosso clube. Não carreguei o dever da crítica. Apenas o prazer, o privilégio e a honra de ser mais um devoto de São Marcos do Palestra. Do Pacaembu. De Yokohama. Do mundo todo, que foi seu em 2002.

Como maravilhoso santo de casa, você não fez milagres apenas em nosso lar. Você fez de tudo em outros campos e cantos. Por estes dias e semanas, estou bem perto do Morumbi – estádio onde você foi canonizado, em maio de 1999. Estou de cama tentando melhorar de uma doença complicada. Por isso, escalei o Mauro, que você conhece, para me ajudar a botar no papel um pouco do tudo que você fez por nós. Meu filho, que costuma dizer que você, Marcos, e eu, Joelmir, somos as pessoas que melhor o defenderam na vida.

Por isso, eu te peço, Marcos, que você me dê mais uma vez a mão. Uma força. Para me erguer de onde estou e poder celebrar com meus filhos e netos mais uma grande vitória pela sua santa proteção.

Não é milagre. É fé. Trabalho. Esperança. Superação. É tudo o que o Palmeiras me ensinou. É tudo o que você deu ao Palmeiras. Quando temos pessoas como você para nos defender, com a paixão que você dedicou, com o amor que nos deliciou, sei que tudo já deu certo. Que ninguém que nos ataca vai vencer. Que só quem defende e ataca por nós será inatacável.

Seu Marcos, você pode não ser santo, mas sei que você faz milagres. Você pode não recuperar quem não está bem. Mas nunca é doente quem é Palmeiras. Sadio é quem torceu por você.

Tenho uma frase que foi reproduzida no vestiário do velho Palestra: “Explicar a emoção de ser palmeirense a um palmeirense é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense… É simplesmente impossível”.

Explicar a emoção de torcer por Marcos é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense… meus pêsames.

Parabéns, amigo. Obrigado por tudo e por essas imagens que, mesmo vendo, a gente ainda não acredita. Mas como é Palmeiras, eu boto fé. Sempre creio no nosso time.

Até quando duvido de Deus (que é pecado), sei que temos alguém para nos salvar. Alguém para nos defender. Alguém como Marcos.

Em nome do Pai da Bola Waldemar, do Filho do Divino Ademir e do Espírito São Marcos, amém.

Joelmir Beting,
Palmeirense há 75 anos, jornalista há 55.”

Imagens: Divulgação

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