Porto: um campeão econômico

Helton beija a taça da Europa League: no Porto, conquistar títulos é uma estratégia financeira (Foto: Getty Images)

2010-11 foi a temporada do Porto. Ausente da Champions’ League pela primeira vez desde 2003-04 (quando foi o campeão), o clube transformou o mau momento em oportunidade: sagrou-se campeão da Europa League – seu segundo título, somada a UEFA Cup de 2002-03 – e também venceu campeonato e copa nacionais, conquistando a primeira tríplice coroa de sua história.

O resultado manteve o clube no topo de uma estatística prestigiosa: com 22 títulos (18 nacionais, três continentais e um mundial) nos últimos dez anos, o Porto é a equipe europeia que mais venceu no século XXI. E a contagem pode aumentar ainda mais no dia 26 de agosto, quando os “dragões” medirão forças com o Barcelona pela título da UEFA Supercup.

Os números impressionam. Ainda mais se lembrarmos que o Porto não está em uma capital nacional e convive com o panorama turbulento que a economia portuguesa atravessa há algum tempo. Ou seja: a manutenção e conquistas do clube são realizadas com menos recursos em relação a adversários de outros centros.

para se manter entre os grandes, o Porto optou por um severo reposicionamento: tornou-se um renovador de talentos do futebol europeu. Sua política compreende: a busca por valores em mercados “alternativos”; sua valorização por meio de títulos – que passam a ser parte de um processo de busca por resultados; e sua revenda aos grandes clubes do continente.

Sobre isso, o jornalista Jaime Rincón, do periódico esportivo espanhol Marca, escreveu um excelente artigo, publicado há exatamente um mês. E o FutebolMarketing.com.br traz para você o texto integral traduzido. Vale a pena conferir.

Valor agregado: comprado por 5,5 milhões, Falcão marcou 17 gols e se tornou o maior artilheiro de todos os tempos da Europa League (Foto: AFP)

Porto, um campeão econômico

26 de maio de 2004, estádio de Gelsenkirchen. O Porto, de José Mourinho, completa seu ciclo e se proclama campeão europeu ao ganhar por 3×0 do Monaco. Sete anos depois, os “dragões” recuperariam seu lugar no continente com a conquista da Europa League, após vencer o Braga por 1×0. A transição de um êxito a outro é um exemplo único de gestão econômica e desportiva no futebol, o qual convém analisar com cuidado.

Sete anos. Sete temporadas em que o clube português, por meio das entradas de mercado, sempre alcançou um superávit notável. Compra a bom preço e vende caro. Abraça-se ao mercado sul-americano, descobre talentos, jogadores emergentes, dá-lhes confiança e tempo de jogo, e, alguns anos depois, vende-os a preços três ou quatro vezes maior que o desembolsado no momento da contratação.

Os exemplos são numerosos. E as negociações, espetaculares. Pepe, por exemplo, veio do Marítimo por 2 milhões de euros e, três temporadas depois, foi para o Real Madrid por 30 milhões. O caso de Anderson, por quem se pagou 5 milhões de euros ao Grêmio, é similar: três anos mais tarde, ele foi para o Manchester United e o Porto engordou seus cofres com 31 “quilos”. Do mesmo modo, poderíamos citar Deco, Maniche, Diego, Lucho González, Lisandro López, Meireles etc.

Arrojo com bons resultados
Para que se tenha uma ideia, nestas sete temporadas o Porto apresentou um lucro de 196 milhões de euros. O mesmo que outras equipes gastam numa só temporada, ou o dobro do algumas pagam por um único jogador. E essa política, que os mais céticos podem classificar de austera, traduziu-se em títulos: cinco campeonatos nacionais, quatro Copas de Portugal, quatro Supercopas de Portugal e uma Europa League, desde então.

O Porto campeão da Europa League: custo x benefício a nível de excelência (Foto: Getty Images)

O critério e a eficiência de seus olheiros, a habilidade na hora de negociar o tempo para transferências e a responsabilidade dada a determinados jogadores – no que pese sua juventude – são as chaves desde Porto. Sem entrar em muitos detalhes sobre números, basta dizer que os onze “dragões” que se apresentaram na final da Europa League, em Dublin, custaram ao clube cerca de 40 milhões de euros. O detalhe:

Helton (1,5 milhões). Sapunaru (2,5 milhões), Otamendi (4 milhões), Rolando (950.000 euros), Álvaro Pereira (4,5 milhões). Guarín (1 milhão), Moutinho (10 milhões), Fernando (720.000 euros). Hulk (5,5 milhões), Falcao (5,5 milhões), Varela (custo zero).

A pergunta, agora, é por quanto dinheiro sairão da equipe portuguesa: os jogadores que buscarão por uma nova aventura; ou os sortudos que receberão a chamada milionária dos grandes clubes europeus. Enquanto isso, o Porto seguirá com sua filosofia conservadora. Em tempos de crise, é o lógico a se fazer.

Fonte: Marca

Thiago Zanetin (@th_dellascala) tem 25 anos e trabalha como redator publicitário. Fanático seguidor do Hellas Verona, espera ansiosamente pelo dia em que as verdadeiras cores gialloblù da cidade voltarão a brilhar nas séries maiores.

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