“Time B” e Estratégia

(Foto: Reprodução)

Quando falamos em estratégia, falamos na escolha de um caminho. Por algum motivo as pessoas o escolhem e depois o perseguem até o fim, independente do resultado.

Para justificar essa introdução que fiz no primeiro parágrafo, comento que essa semana eu li nos jornais que o Internacional/POA encerrou as atividades do seu time “B”, demitindo o treinador e reorganizando alguns jogadores profissionais. Ano passado eu já tinha lido que o Palmeiras/SP tinha tomado a mesma decisão. Eu acredito que essa decisão foi uma decisão muito bem acertada, por duas razões:

1. Estrategicamente duas equipes terão dois comandos, terão duas competições e dois focos para apenas um calendário. Se você não quer participar de alguma competição jogue com o time misto ou reserva, mas não crie o outro time profissional. Por isso que digo: estratégias bem definidas precisam de apenas um foco bem definido, e não dois.

2. O outro ponto é questão financeira. Manter duas equipes profissionais custa muito caro para os clubes.

Analisem comigo: a equipe principal joga a Libertadores da América e a equipe “B” joga o Campeonato Estadual (primeiro semestre). Se ambas as equipes perdem as suas respectivas competições o custo é mais alto (65 atletas). Porém se você mantém apenas uma só equipe para o mesmo calendário, vai lhe custar mais barato em caso de derrota manter 40 atletas ao invés de 65.

A questão aqui é priorizar a competição mais importante. Só isso. Quando um clube tem apenas uma equipe profissional ele acaba tendo que fazer escolhas durante o ano, e é justamente isso que o faz diferente dos demais clubes quando ele acerta. Entender o mercado, entender o próprio clube e fazer as escolhas certas não é para qualquer um.

É muito fácil vencer em um mercado onde um tem dinheiro e outro não tem. Por isso que às vezes uma equipe menor vence uma maior, porque ela teve estratégia certa no momento certo, enquanto a outra equipe não.

O Palmeiras já fez isso ano passado, o Inter fez isso agora em 2011, porém ainda tem clube mantendo equipe “B”, mesmo sabendo que essas equipes não têm futuro.

Joffrãn da Silva (@Joffran) é professor, consultor e treinador de futebol em Florianópolis, SC. Nesse espaço Joffrãn escreve sobre as nuances do futebol, analisa jogos, relata sobre as organização das competições e comenta sobre o treinamento do futebol.

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Comentários

  1. Lembrando que o Palmeiras ainda mantém seu time B, que disputa a Serie A2 do Campeonato Paulista e, na última década, venceu quatro torneios internacionais e conquistou quatro acessos regionais (intercalados por apenas um rebaixamento).

    Se melhor trabalhado, o time B pode ser um recurso de expansão da marca.

  2. Thiago,

    Certamente a equipe do Palmeiras B é uma equipe muito qualificada, até porque o clube é grande e deve ter condições para tal decisão.

    Se o time B existe para jogar competições internacionais essa é uma estratégia muito interessante para esse tipo de equipe. Se eu fosse dirigente de clube e tivesse condições de manter essa estratégia, também o faria.

    Porém o que eu tentei defender no meu artigo era justamtente o contrário. Um time B não pode existir para ser sombra de um time A.

    Essa estratégia é errada no meu ponto de vista.

    Abraço,

    Joffrãn